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Para que pode servir o estudo do Espiritismo?

Allan-Kardec_A_2010Em face das incertezas das revelações feitas pelos espíritos, pergunta-se: para que pode servir o estudo do Espiritismo?
Ele serve para provar materialmente a existência do mundo espiritual. O mundo espiritual estando formado pelas almas daqueles que viveram, disso resulta a prova da existência da alma e da sua sobrevivência ao corpo.

As almas que se manifestam, revelam suas alegrias e seus sofrimentos segundo a maneira que empregaram a vida terrestre; disso resulta a prova das penas e das recompensas futuras.

As almas ou Espíritos, descrevendo seu estado e sua situação, corrigem as ideias falsas que se fazia sobre a vida futura e, principalmente, sobre a natureza e a duração das penas.

A vida futura passando, assim, do estado de teoria vaga e incerta ao estado de fato consumado e positivo, disso resulta a necessidade de trabalhar, o mais possível, durante a vida presente, que é de curta duração, em proveito da vida futura, que é indefinida.

Suponhamos que um homem de vinte anos tenha a certeza de morrer aos vinte e cinco; que fará durante esses cinco anos? Trabalhará para o futuro? Seguramente não. Ele se esforçará em gozar o mais possível e consideraria um logro se impor fadiga e privações sem objetivo. Mas, se ele tivesse a certeza de viver até os oitenta anos, agiria de outro modo, porque compreenderia a necessidade de sacrificar alguns instantes do repouso presente para assegurar o repouso futuro durante muitos anos. Ocorre o mesmo com aquele para quem a vida futura é uma certeza.

 

A dúvida com relação à vida futura conduz, naturalmente, a tudo sacrificar aos gozos do presente; daí a importância excessiva atribuída aos bens materiais.

A importância atribuída aos bens matérias excita a cobiça, a inveja, o ciúme daquele que tem pouco contra aquele que tem muito. Da cobiça ao desejo de se obter a todo custo o que possui seu vizinho, há apenas um passo; daí os ódios, as disputas, os processos, as guerras e todos os males engendrados pelo egoísmo.

Com a dúvida sobre o futuro, o homem, oprimido nesta vida pelos desgostos e pelo infortúnio, não vê senão na morte o fim dos seus sofrimentos; nada mais esperando, ele acha racional abreviá-los pelo suicídio.

Sem esperanças no futuro, é muito natural que o homem se afete, se desespere diante das decepções que experimente. As agitações violentas que delas recebe produzem em seu cérebro um abalo, causa da maioria dos casos de loucura.

Sem a vida futura, a vida presente é para o homem a coisa capital, o único objeto de suas preocupações, e a ela tudo relaciona. Por isso, quer a qualquer preço gozar, não somente dos bens materiais, mas de honrarias; aspira a brilhar, a se elevar acima dos outros, a eclipsar seus vizinhos por seu fausto e sua posição; daí a ambição desenfreada e a  importância que dá aos títulos e a todas as futilidades da vaidade, pelas quais ele sacrificaria até sua própria honra, porque não vê nada além.

A certeza da vida futura e suas consequências muda totalmente a ordem das ideias e faz ver as coisas sob nova luz; é um véu levantado que descobre um horizonte imenso e esplêndido. Diante do infinito e da grandiosidade da vida de além-túmulo, a vida terrestre se apaga, como um segundo diante dos séculos, como o grão de areia diante da montanha. Tudo aí torna-se pequeno, mesquinho, e espanta-se da importância que se deu a coisas tão efêmeras e tão pueris. Daí, nos acontecimentos da vida, uma calma, uma tranquilidade, que já é felicidade em comparação com as balbúrdias, os tormentos que nos impomos para nos elevarmos acima dos outros; daí também, para as vicissitudes e as decepções, uma indiferença mesmo que, tirando toda presa ao desespero, afasta os mais numerosos casos de loucura e desvia o pensamento do suicídio. Com a certeza do futuro o homem espera e se resigna; com a dúvida, ele perde a paciência, porque não espera nada do presente.

O exemplo daqueles que viveram, prova que a soma da felicidade futura está em razão do progresso moral alcançado e do bem que se fez sobre a Terra; que a soma da infelicidade está em razão da soma dos vícios e das más ações, resultando disso em todos aqueles que estão bem convencidos dessa verdade, uma tendência toda natural a fazer o bem e a evitar o mal.

Quando a maioria dos homens estiver imbuída dessa ideia, quando professar esses princípios e praticar o bem, disso resultará que o bem se imporá sobre o mal neste mundo; que os homens não procurarão mais se prejudicarem mutuamente; que eles regularão suas instituições sociais para o bem de todos, e não em proveito de alguns; em uma palavra, compreenderão que a lei da caridade ensinada pelo Cristo é a fonte da felicidade, mesmo neste mundo, e basearão suas leis civis sobre a lei da caridade.

A constatação do mundo espiritual que nos cerca, e de sua ação sobre o mundo corporal, é a revelação de uma potência da Natureza  e, por conseguinte, a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos, tanto na ordem física como na ordem moral.

Quando a Ciência tiver se inteirado desta nova força, desconhecida para ela até este dia, retificará uma multidão de erros provenientes do fato de atribuir tudo a uma causa única: a matéria. O reconhecimento dessa nova causa nos fenômenos da Natureza, será uma alavanca para o progresso, e produzirá o efeito da descoberta de um agente todo novo.

Com a ajuda da lei espírita, o horizonte da Ciência se alargará, como se alargou com a ajuda da lei da gravitação.

Quando os sábios, do alto de sua cátedra, proclamarem a existência do mundo espiritual e sua ação nos fenômenos da vida, infiltrarão na juventude o contrapeso das ideias materialistas, ao invés de predispô-la à negação do futuro.

Nas lições de filosofia clássica, os professores ensinam a existência da alma e seus atributos segundo as diferentes escolas, mas sem provas materiais. Não é estranho que agora, que essas provas chegaram, elas sejam repelidas e tratadas de supersticiosas por esses mesmos professores? Não é dizer aos seus alunos: nós vos ensinamos a existência da alma, mas nada a prova? Quando um sábio emite uma hipótese sobre uma questão científica, ele procura com zelo, acolhe com alegria, os fatos que podem fazer dessa hipótese uma verdade: como um professor de filosofia, cujo dever é provar aos seus alunos que eles têm uma alma, trata com desdém os meios de lhes dar uma demonstração patente?

Suponhamos, pois, que os Espíritos sejam incapazes de nada nos ensinar que nós já não o saibamos, ou que não podemos saber por nós mesmos, vê-se que a só constatação da existência do mundo espiritual conduz, forçosamente, a uma revolução na ordem das coisas, e é essa revolução que o Espiritismo prepara.

Mas os Espíritos fazem mais que isso; se suas revelações são cercadas de certas dificuldades e exigem minuciosas precauções para lhes constatar a exatidão, não e menos verdadeiro que os Espíritos esclarecidos, quando se sabe interroga-los, e quando isso lhes é permitido, podem nos revelar fatos ignorados, nos dar explicações de coisas incompreendidas, e nos colocar sobre a senda de um progresso mais rápido. É nisso, sobretudo, que o estudo completo e atento da ciência espírita é indispensável, a fim de não lhe pedir o que ela não pode dar; é ultrapassando os limites que se expõe a ser enganado.

                As menores causas podem produzir os maiores efeitos; é assim que, de um pequeno grão pode sair uma árvore imensa; que a queda de uma maçã fez descobrir a lei que rege os mundos; que as rãs saltando num prato revelaram a força galvânica; foi também assim, que do vulgar fenômeno das mesas girantes saiu a prova do mundo invisível, e dessa prova uma doutrina que, em alguns anos, deu a volta ao mundo, e pode regenerá-lo pela só constatação da realidade da vida futura.

O Espiritismo ensina pouco quanto a verdades absolutamente novas, em virtude do axioma de que nada há de novo sob o Sol. Não há verdades absolutas senão aquelas que são eternas; as que o Espiritismo ensina, estando fundadas sobre as leis da Natureza, existiram de todos os tempos; por isso delas se encontram os germes que um estudo mais completo e observações mais atentas têm desenvolvido. As verdades ensinadas pelo Espiritismo são, pois, antes consequências que descobertas.

O Espiritismo não descobriu nem inventou os Espíritos, nem descobriu o mundo espiritual, no qual se acreditou em todos os tempos; somente ele o prova por fatos materiais e o mostra sob sua verdadeira luz, livrando-o dos preconceitos e das ideias supersticiosas que engendram a dúvida e a incredulidade.

Consequências do espiritismo

ALLAN KARDEC

Do livro “O que é o Espiritismo”

  1. 23, julho, 2017 em 22:37 | #1

    Sou de família que prevê algo do além, porém não sabemos explicar ou decifrar, decidir então, aprofundar na leitura sobre o assunto e compartilhar com pessoas que podem se encontra na mesma situação. fazendo uma busca na internet, deparei com esta leitura do livro ALLAN KARDEC. Decidi facilitar a leitura postando no meu blog.

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