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ESCOLHOS DOS MÉDIUNS

médiumA mediunidade é uma faculdade multíplice, e que apresenta uma variedade infinita de nuanças em seus meios e em seus efeitos. Quem está apto para receber ou transmitir as comunicações dos Espíritos é por isso mesmo, médium, qualquer que seja o modo empregado ou o grau de desenvolvimento da faculdade, desde a simples influência oculta até a produção dos mais insólitos fenômenos. Todavia, em seu uso ordinário, essa palavra tem uma acepção mais restrita, e se diz, geralmente, de pessoas dotadas de um poder mediúnico muito grande, seja para produzir efeitos físicos, seja para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra.
Embora essa faculdade não seja um privilégio exclusivo, é certo que encontra refratário, pelo menos no sentido que a isso se dá; é certo também que não é sem escolhos para aqueles que a possuem; e ela pode se alterar, mesmo perder-se, e, frequentemente, ser uma fonte de graves decepções. Sobre esse ponto é que cremos ser útil chamar a atenção de todos aqueles que se ocupam com comunicações espíritas, seja diretamente, seja por intermediário. Dizemos por intermediário, porque incumbe também àqueles que se serve de médiuns poder apreciar seu valor e a confiança que merecem suas comunicações.
O dom da mediunidade prende-se a causas que não são ainda perfeitamente conhecidas, e nas quais o físico parece ter uma grande parte. À primeira vista, pareceu que um dom tão precioso não teve ser o quinhão senão de almas de elite; ora, a experiência prova  o   contrário,  porque  se  encontram  poderosos  médiuns entre as pessoas cuja moral deixa muito a desejar, ao passo que outras, estimáveis sob todos os aspectos, não a possuem. Aquele que fracassa, apesar de seu desejo, seus esforços e sua perseverança, disso não deve concluir desfavoravelmente para si, e não se crer in digno da benevolência dos bons Espíritos; se esse favor não lhe foi concedido, sem dúvida, há outros que podem lhe oferecer uma ampla compensação.

Pela mesma razão, aquele que a desfruta, dela não poderá se prevalecer, porque não é nele o sinal de nenhum mérito pessoal. O mérito não está, pois, na posse da faculdade medianímica, que pode ser dada a todo o mundo, mas no uso que dela se pode fazer; aí está uma distinção capital que é preciso jamais perder de vista: a bondade do médium não está na facilidade das comunicações, mas unicamente em sua aptidão em não recebê-las senão as boas; ora, é aí que as condições morais, nas quais se encontra, são onipotentes; também aí se encontram, para ele, os maiores escolhos.

Para se dar conta desse estado de coisas e compreender o que iremos dizer, é preciso se reportar a esse princípio fundamental, que entre os Espíritos os há de todos os graus em bem e em mal, em ciência e em ignorância; que os Espíritos pululam ao nosso redor, e quando cremos estar sós, estamos sem cessar cercados de seres que nos acotovelam, uns com indiferença como estranhos, os outros que nos observam com intenções mais ou menos benevolentes, segundo sua natureza.
O provérbio: Quem se parece se reúne, tem sua aplicação entre os Espíritos como entre nós, e mais ainda entre eles, se isso é possível, porque não estão, como nós, sob a influência de considerações sociais. Todavia, se, entre nós, essas considerações confundem, algumas vezes, os homens de costumes e de gostos muito diferentes, essa confusão não é, de alguma sorte, senão material e transitória; a semelhança ou a divergência de pensamentos será sempre a causa das atrações ou das repulsões.
Nossa alma que não é em definitivo, senão um Espírito encarnado, não é menos Espírito; se está momentaneamente revestida de um envoltório material, suas relações com o mundo incorpóreo, embora menos fáceis que no estado de liberdade, não são interrompidas por isso de maneira absoluta; o pensamento é laço que nos une ao Espírito, e por esse pensamento atraímos aqueles que simpatizam com as nossas ideias e nossas tendências.
Representemo-nos, pois, a massa dos Espíritos que nos cercam como a multidão que encontramos no mundo; por toda parte aonde vamos de preferência, encontramos homens atraídos pelos mesmos gostos e os mesmos desejos; nas reuniões que têm um fim sério, vão os homens sérios; naquelas que têm um objetivo frívolo, vão os homens frívolos; por toda parte também se encontram Espíritos atraídos pelo pensamento dominante. Se lançarmos um golpe de vista sobre o estado moral da Humanidade em geral, conceberemos sem dificuldade que, nessa multidão oculta, os Espíritos elevados não devem estar em maioria; é uma das consequências do estado de inferioridade de nosso globo.
Os Espíritos que nos cercam não são passivos; é um povo essencialmente movimentado, que pensa e age sem cessar, que nos influencia com o nosso desconhecimento, que nos excita ou nos dissuade, que nos impele ao bem ou ao mal, o que não nos tira mais nosso livre arbítrio senão os conselhos bons ou maus que recebemos de nossos semelhantes. Mas quando os Espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, sabem muito bem a quem se dirigem e não vão perder seu tempo onde veem que serão mal recebidos; eles nos excitam segundo nossas tendências ou segundo os germes que veem em nós e nossas disposições em escutá-los: eis porque o homem firme nos princípios do bem não lhe dá oportunidade.
Estas considerações nos conduzem naturalmente à questão dos médiuns. Estes últimos estão, como todo o mundo, submetidos à influência oculta de Espíritos bons ou maus; eles os atraem ou os repelem segundo as simpatias de seu espírito pessoal, e os Espíritos maus se aproveitam de todo defeito, como de uma falta de couraça para se introduzirem junto deles e se imiscuírem, com seu desconhecimento, em todos os atos de sua vida particular. Esses Espíritos encontrando, por outro lado, no médium um meio de exprimirem seu pensamento de maneira inteligível e de atestarem sua presença, se mistura às comunicações, provocam-nas porque esperam ter maior influência por esse meio, e acabam por dominá-las.
Consideram-se como em sua casa, afastando os Espíritos que poderiam se lhes contrapor, e, se for preciso, tomam seus nomes e mesmo sua linguagem para enganarem; mas não podem sustentar por muito tempo, seu papel, e por poucas relações que tenham com um observador experimentado, e não prevenido, são bem depressa desmascarados. Se o médium se deixa levar por essa influência, os bons Espíritos dele se afastam, ou não vêm senão quando são chamados, ou não vêm senão com repugnância, porque veem que o Espírito que está identificado com o médium, que de alguma sorte elegeu domicílio nele, pode alterar suas instruções.
Se vamos escolher um intérprete, um secretário, um mandatário qualquer, é evidente que escolheremos não só um homem capaz, mas, além disso, digno de nossa estima, e que não confiaremos uma missão delicada e nossos interesses a um homem corrompido ou frequentando uma sociedade suspeita. Ocorre o mesmo com os Espíritos; os Espíritos superiores não escolheriam, para transmitirem instruções sérias, um médium que tem frequência com os Espíritos levianos, A MENOS QUE NÃO TENHAM NECESSIDADE E QUE NÃO TENHAM OUTROS, A SUA DISPOSIÇÃO PARA O MOMENTO, a menos ainda que queira dar uma lição ao próprio médium, o que ocorre algumas vezes, mas, então, não se servem dele senão acidentalmente, e o deixam desde que o encontrem melhor, deixando-o às suas simpatias se a elas se prendem.
O médium perfeito seria, pois, aquele que não desse nenhum acesso aos maus Espíritos por um defeito qualquer. Essa condição é bem difícil de preencher; mas se a perfeição absoluta não é dada ao homem, lhe é sempre dado aproximar-se dela pelos seus esforços, e os Espíritos levam em conta, sobretudo os esforços, à vontade e a perseverança.
O médium perfeito não teria, assim, senão comunicações perfeitas de verdade e de moralidade; não sendo possível a perfeição, o melhor será aquele que tiver as melhores comunicações: é pela obra que se pode julgá-los. Comunicações constantemente boas e elevadas, onde não se percebesse nenhum indício de inferioridade, seria, incontestavelmente, uma prova da superioridade moral do médium, porque atestariam felizes simpatias. Por isso mesmo, porque o médium não poderia ser perfeito, os Espíritos levianos, trapaceiros e mentirosos, podem se misturar às suas comunicações, alternar-lhe a pureza e induzir em erro, ele e àqueles que se lhes dirigem. Aí está o maior escolho do Espiritismo, e não lhe dissimulamos a gravidade. Pode-se evitá-lo? Dizemos alto e bom som: sim, é possível; o meio não é difícil e não pede senão o julgamento.
As boas intenções, a moralidade mesma do médium, não bastam sempre para preservá-lo da intromissão de Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios em suas comunicações; além dos defeitos de seu próprio Espírito, pode se expor a eles por outras causas, cuja principal é a fraqueza de seu caráter e uma excessiva confiança na invariável superioridade dos Espíritos que se comunicam por ele; essa confiança cega prende-se a uma causa que explicaremos dentro em pouco. Se não se quer ser vítimas desses Espíritos levianos, é preciso julgá-los, e para isso temos um critério infalível: o bom senso e a razão.
Sabemos as qualidades da linguagem que caracterizam, entre nós, os homens verdadeiramente bons e superiores, essas qualidades são as mesmas para os Espíritos; devemos julgá-los por sua linguagem. Não poderíamos muito repetir o que caracteriza a dos Espíritos elevados: ela é constantemente digna, nobre, sem fanfarrice e contradição, pura de toda trivialidade, marcada por uma inalterável benevolência. Os bons Espíritos aconselham; eles não mandam; eles não se impõem; sobre o que ignoram, se calam. Os Espíritos levianos falam com a mesma segurança daquilo que sabem e daquilo que não sabem, respondem a tudo sem se importarem com a verdade. Nós os vimos, em um ditado supostamente sério, colocar, com uma imperturbável firmeza, César no tempo de Alexandre; outros afirmarem que não é a Terra que gira ao redor do Sol.
Em resumo, toda expressão grosseira ou simplesmente inconveniente, toda marca de orgulho e de presunção, toda máxima contrária à sã moral, toda heresia científica notória, é, entre os Espíritos, como entre os homens, um sinal incontestável de má natureza, de ignorância ou pelo menos de leviandade. De onde se segue que é preciso pesar tudo o que dizem e fazê-los passar pelo crisol da lógica e do bom senso; é uma recomendação que nos fazem, sem cessar, os bons Espíritos. “Deus, nos dizem, não vos deu o julgamento para nada; servi-vos dele, pois, para saber com quem tendes relação.” Os maus Espíritos temem o exame; eles dizem: “Aceitai nossas palavras e não as julgueis.” Se tivessem a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz.
O hábito de escrutar as menores palavras dos Espíritos, de pesar-lhes o valor, (do ponto de vista do pensamento, e não da forma gramatical, com a qual têm pouco cuidado,) distancia forçosamente os Espíritos mal intencionados, que não vêm, então, perder inutilmente seu tempo, uma vez que se rejeite tudo o que é mau ou de origem suspeita. Mas quando se aceita cegamente tudo o que dizem que se coloca, por assim dizer, de joelhos diante de sua pretensa sabedoria, fazem o que fariam os homens – disso abusam.
Se o médium é senhor de si, se não se deixa dominar por um entusiasmo irrefletido, pode fazer o que aconselhamos; mas, frequentemente, ocorre que o Espírito o subjuga a ponto de fasciná-lo e fazê-lo achar admiráveis as coisas mais ridículas, e se abandona tanto mais a essa perniciosa confiança que, fortificado em suas boas intenções e seus bons sentimentos, crê que isso basta para afastar os maus Espíritos; não, isso não basta, porque esses Espíritos ficam encantados em fazê-lo cair na armadilha, aproveitando-se de sua fraqueza e de sua credulidade. Que fazer então? Atribuir a um terceiro desinteressado que, julgando com sangue frio e sem prevenção, poderá ver uma palha aí onde ele não via uma trave.
A ciência espírita exige uma grande experiência que não se adquire, como em todas as ciências filosóficas e outras, senão por um estudo longo, assíduo e perseverante, e por numerosas observações. Ela não compreende somente o estudo dos fenômenos propriamente ditos, mas também, e, sobretudo, o dos costumes, se podemos nos exprimir assim, do mundo oculto, desde o mais baixo até o mais alto degrau da escala. Seria muita presunção crer-se suficientemente esclarecido e passar a senhor depois de algumas experiências. Tal pretensão não seria de um homem sério; porque quem lança um olhar escrutador sobre esses mistérios estranhos, vê desdobrar-se diante de si um horizonte tão vasto que anos são suficientes apenas para alcançá-lo; há os que pretendem fazê-lo em alguns dias!
De todas as disposições morais, a que dá mais presa aos Espíritos imperfeitos, é o orgulho. O orgulho é para os médiuns um escolho tanto mais perigoso quando não o reconhecem. É o orgulho que lhes dá essa crença cega na superioridade dos Espíritos que se ligam a ele, porque se lisonjeiam com certos nomes que lhes impõem; desde que um Espírito lhes disse: Eu sou um tal, eles se inclinam e tratam de não duvidarem disso, porque seu amor próprio sofreria por encontrar sob essa máscara um Espírito de baixo estágio ou de má qualidade. O Espírito, que vê o lado fraco, dele se aproveita; gaba seu pretenso protegido, fala-lhe de origens ilustres que o incham mais, promete-lhe um futuro brilhante, as honras, a fortuna, das quais ele parece ser o dispensador; se necessário afeta com ele uma ternura hipócrita; como resistir a tanta generosidade? Em uma palavra, engana-o e o conduz, como se diz vulgarmente, pela ponta do nariz; sua felicidade é ter um ser sob sua dependência.
Interrogamos mais de um deles, sobre os motivos de sua obsessão; um deles nos respondeu isto: Eu quero ter um homem que faça a minha vontade; é o meu prazer. Quando lhes dissemos que íamos trabalhar para frustrar seus artifícios e abrir os olhos de seu oprimido, ele disse: Lutarei contra vós, e não vencereis, porque farei tanto quanto não credes. Com efeito, é uma tática desses Espíritos malfazejos; eles inspiram a desconfiança e o afastamento para as pessoas que possam desmascará-los e dar bons conselhos. Jamais semelhante coisa chega da parte dos bons Espíritos. Todo Espírito que sopra a discórdia, que excita a animosidade, entretém as dissidências, com isso revela sua natureza má; é preciso ser cego para não compreendê-lo e para crer que um bom Espírito possa compelir à desinteligência.
O orgulho, frequentemente, se desenvolve no médium à medida que aumenta a sua faculdade; dá-lhe importância; é procurado, e acaba por se crer indispensável; daí, algumas vezes, nele, um tom de presunção e de pretensão, ou ares de suficiência e de desdém, incompatíveis com a influência de um bom Espírito. Aquele que cai nessa má direção está perdido, porque Deus lhe deu a faculdade para o bem, e não para satisfazer a sua vaidade ou dela fazer um degrau de sua ambição. Esquece que esse poder, no qual confia, pode lhe ser retirado e que, frequentemente, não lhe foi dado senão como prova, do mesmo modo que a fortuna para certas pessoas. Se dela abusa, os bons Espíritos o abandonam pouco a pouco, e ele se torna o joguete dos Espíritos levianos que embalam suas ilusões, satisfeitos por terem vencido aquele que se acreditava forte.
Foi assim que vimos se aniquilarem e se perderem as faculdades mais preciosas que, sem isso, poderiam tornar-se os mais poderosos e os mais úteis auxiliares. Isto se aplica a todo o gênero de médiuns, sejam para as comunicações físicas ou para as comunicações inteligentes. Infelizmente, o orgulho é um dos defeitos que a pessoa está menos disposta a confessar para si mesma e que menos se pode confessar aos outros, porque não o creem. Ide, pois, dizer a um desses médiuns que ele se deixa levar como uma criança, e vos dará as costas dizendo que sabe se conduzir e que não vedes claro. Podeis dizer a um homem que ele é beberrão, debochado, preguiçoso, inábil, imbecil, e disso rirá ou consentirá; dizei-lhe que é orgulhoso, e se zangará: prova evidente de que dissestes a verdade.
Os conselhos, nesse caso, são tanto mais difíceis quanto o médium evite as pessoas que poderiam dar-lhes, foge de uma intimidade que teme. Os Espíritos, que sentem que os conselhos são golpes dados em seu poder, ao contrário, compelem-no para aquelas que o entretém em suas ilusões. Preparam-se muitas decepções, nas quais seu amor próprio, mais uma vez, terá que sofrer; feliz, ainda, se disso não resultar nada de mais grave para ele.
Se insistirmos longamente sobre esse ponto, foi porque a experiência nos demonstrou, em muitas ocasiões, que aí está uma das grandes dificuldades para a pureza e a sinceridade das comunicações dos médiuns. É quase inútil, depois disso, falar de outras imperfeições morais, tais como o egoísmo, a inveja, o ciúme, a ambição, a cupidez, a dureza de coração, a ingratidão, a sensualidade, etc. Cada um compreende que elas são tantas portas abertas aos Espíritos imperfeitos, ou pelo menos causas de fraqueza.
Para afastar estes últimos, não basta dizer-lhes que se vão; não basta mesmo o querer e ainda menos conjurá-los: é preciso lhes fechar a sua porta e os ouvidos, provar-lhes que se é mais forte do que eles, e, incontestável mente, pelo amor ao bem, à caridade, a doçura, a simplicidade, a modéstia e o desinteresse, qualidades que nos conciliam com a benevolência dos bons Espíritos; é seu apoio que faz a nossa força, e se eles nos deixam, algumas vezes, presa dos maus, é uma prova para a nossa fé e o nosso caráter.
Que os médiuns não se assustem muito, entretanto, com a severidade das condições que acabamos de falar; elas são lógicas, convir-se-á, mas se erraria rejeitando-as. As comunicações más que se podem ter, em verdade, é bem o índice de alguma fraqueza, mas nem sempre um sinal de indignidade; pode-se ser fraco e bom. Em todos os casos, é um meio de reconhecer suas próprias imperfeições. Nós o dissemos, em outro artigo, que não há necessidade de ser médium para estar sob a influência de maus Espíritos, que agem nas sombras; com a faculdade me de única, o inimigo se mostra e se trai; sabe-se com quem se relaciona e pode-se combatê-lo; assim é que uma má comunicação pode tornar-se útil lição, sabendo-se aproveitá-la.
De resto, seria injusto colocar todas as más comunicações à conta do médium; falamos daquelas que obtêm por si mesmos, fora de toda outra influência, e não daquelas que se produzem em um meio qualquer, ora, todo o mundo sabe que os Espíritos, atraídos por esse meio, podem prejudicar as manifestações, seja pela diversidade de caracteres, seja pela falta de recolhimento. E uma regra geral que as melhores comunicações ocorrem na intimidade, e em um círculo reduzido e homogêneo.
Em toda comunicação, várias influências estão em jogo; a do médium, a do meio, e a da pessoa que interroga. Essas influências podem reagir umas sobre as outras, se neutralizarem ou se corroborarem: isso depende do objetivo que se propõe, e do pensamento dominante. Vimos excelentes comunicações obtidas em círculos, e com médiuns que não reuniam todas as condições desejáveis; nesse caso, os bons Espíritos vieram por uma pessoa em particular, porque isso era útil; vimos comunicações más obtidas por bons médiuns, unicamente porque o interrogador não tinha intenções sérias e atraía os Espíritos levianos que zombavam dele. Tudo isso pede tato e observação, e concebe-se, facilmente, a preponderância que devem ter todas as condições reunidas.

Revista Espírita 1859 – Fevereiro – Allan Kardec

  1. Wilson Moreno
    14, novembro, 2013 em 16:40 | #1

    As Manifestações dos Espíritos e sua identidade.

    1) Como podemos avaliar se um espírito desencarnado que se apresenta numa reunião mediúnica é um Espirito Elevado ou atrasado?
    Se ele é um Espirito Sábio ou ignorante?
    Se ele é um Espirito bom ou mal?
    O Mestre Allan Kardec fala em seus Livros que é pela LINGUAGEM que vamos avaliar o estado moral evolutivo dos espíritos desencarnados.
    Os Espiritos Elevados possuem sempre uma Linguagem pura, digna, elevada, lógica e sublime de moralidade e seus ensinamentos visam sempre a melhoria moral e espiritual das pessoas, os Espiritos Elevados são Virtuosos em seus ensinamentos, eles pregam a pratica do Bem e das Virtudes.
    Eles procuram moralizar, disciplinar, educar, instruir e iluminar as pessoas.
    Portanto, a LINGUAGEM é o ponto chave, que devemos avaliar nas comunicações mediúnicas, devemos analisar o teor moral e racional dos ensinamentos dos espíritos desencarnados.

    Os espíritos apegados a matéria possuem sempre uma LINGUAGEM vulgar, chula, trivial, grosseira, pesada, agressiva e ímpia, na linguagem desses espíritos se reflete as paixões humanas, como o ódio, a raiva, a inveja, o ciúme, o fanatismo, o desejo de vingança, o apego aos vícios terrenos, como o vicio de beber, fumar, jogar e o vicio das drogas, eles possuem uma LINGUAGEM moralmente pesada e suja, outros espíritos já possuem uma Linguagem de sofrimento, angustia, medo, incertezas, tristezas, arrependimentos.
    Portanto, basta avaliar o nível Moral e Racional da LINGUAGEM que os espíritos desencarnados usam em suas comunicações, para sabermos se eles são espíritos bons ou maus ou espíritos sofredores.
    A LINGUAGEM é o ponto chave.
    Também devemos avaliar o teor moral dos seus ensinamentos, vamos conhecer a árvore pelos seus frutos. Como disse antes, os Espiritos Elevados são Virtuosos e Moralizadores em suas comunicações, qualquer ensinamento vulgar, trivial, sem alcance moral e sem base racional, vamos concluir que são espíritos atrasados, apegados a matéria, que estão se comunicando.

    2) Os Espiritos Elevados possuem sempre uma Linguagem pura, digna, nobre, lógica, sem contradições e sem vulgaridades, tudo neles refletem bondade, paz, alegria, amor, elevação moral, fraternidade, respeito, dignidade, eles deixam o ambiente fluidicamente limpo, suave e luminoso.
    Os Espiritos de Luz são como flores, eles vão perfumar moralmente o ambiente.
    Os espíritos apegados a materia e as paixões humanas, possuem sempre uma Linguagem moralmente suja, ligada as coisas matérias.
    Seus ensinamentos ou mensagens só tratam de questões matérias terra a terra, sem alcance moral.
    É por isso que devemos estar sempre atento a linguagem e aos ensinamentos que os Espiritos desencarnados usam em suas comunicações mediúnicas.

    3) A Linguagem e os ensinamentos usados pelos espíritos desencarnados é o ponto chave para analisarmos o seu estado evolutivo, portanto, temos que observar com muito cuidado as mensagens mediúnicas.
    Existe no mundo espiritual ou plano astral, muitos espíritos que são mentirosos, hipócritas, embusteiros, sedutores e mistificadores, eles usam nomes importantes, pomposos para enganar as pessoas e também usam uma Linguagem melosa, doce e meiga, para seduzir e enganar, são os falsos profetas do plano astral.
    Para evitar os espíritos mentirosos e hipócritas, temos, que seguir a orientação do Mestre Allan Kardec que fala o seguinte, quaisquer mensagens ou comunicações que venha dos espíritos desencarnados, tem QUE PASSAR PELO CRIVO DA RAZÃO E DA LÓGICA para poder ser aceito.
    Temos que analisar tudo com muito critério, usando sempre, o crivo da Razão e da Lógica mais rigorosa, qualquer ofensa a Razão e a lógica, vamos analisar que é um espírito atrasado, portanto, pouco merecedor de confiança.
    Os espíritos mistificadores tudo fazem para seduzir e enganar as pessoas, todo cuidado é pouco nesses assuntos.
    Pela fé raciocinada, devemos sempre analisar tudo dentro de princípios morais e racionais elevados.
    Os Espiritos Elevados e os bons espíritos sempre indicam esse procedimento de analisar, pensar e raciocinar sobre as comunicações que vem do plano astral, somente os espíritos mentirosos, hipócritas e mistificadores, temem esse exame, eles querem ser aceitos sem nenhum exame racional, devemos acreditar neles cegamente e passivamente, isso é um sinal claro que eles são espíritos orgulhosos, mentirosos e hipócritas, devemos sempre desconfiar desses procedimentos.
    Só devemos colocar em pratica os conselhos dos espíritos desencarnados, quando eles forem eminentemente RACIONAIS e com uma Moral sã e elevada, devemos sempre esta alertas nesses assuntos, como diz o ditado popular, o desconfiado morreu de velho.

    4)Os espíritos desencarnados possuem um corpo fluídico chamado de perispirito ou corpo astral, esse corpo fluídico reflete as condições morais e mentais dos Espiritos.
    Os Espiritos Superiores e os Bons Espiritos possuem um corpo perispiritual leve, luminoso e radioso, são corpos de luz ou corpos luminosos, muitos médiuns videntes conseguem ver esses Espiritos Elevados envolvidos em emanações luminosas e coloridas, o seu perispirito é sutil, belo e luminoso e eles possuem um aroma ou perfume leve e agradável, muitos deles possuem um aroma de rosas ou flores.
    Conforme, os Espiritos vão evoluindo moralmente e intelectualmente o seu perispirito vai se eterizando, se tornando cada vez mais sutil e diáfano e luminoso, quando eles se apresentam numa reunião mediúnica, eles se apresentam com um perispirito ou corpo astral radioso e luminoso outros se apresentam como focos de luz ou esferas luminosas e coloridas.
    O perispirito é o cartão de apresentação dos espiritos desencarnados.
    Os espiritos apegados a matéria e aos vícios terrenos, possuem um perispirito denso, turvo, escuro ou deformado, os espiritos obsessores podem tomar formas fluídicas de bruxas, caveiras, duendes, anões deformados, animais deformados, demônios e outras formas moralmente degradantes, eles fazem isso para se impor pelo medo e pelo terror, são os espiritos do Umbral.
    O perispirito ou corpo astral é um corpo fluídico semi material e plasmavel ao pensamento dos espiritos, é por isso que eles podem plasmar formas fluídicas com o seu perispirito.
    Os espiritos inferiores, perturbadores e obsessores só não podem plasmar corpos fluídicos luminosos e radiosos, por que, isso é uma condição da elevação moral e espiritual dos Espiritos.
    Resumindo, corpos fluídicos luminosos e coloridos com um perfume sutil e agradável é uma condição evolutiva dos Espiritos elevados.
    Corpos fluídicos densos, grosseiros, turvos, escuros e deformados é uma condição de atraso moral dos espiritos inferiores.
    O perispirito ou corpo astral sempre vai refletir as condições morais e mentais dos espiritos desencarnados.
    Portanto, um médium vidente em boas condições morais pode avaliar o estado evolutivo dos espiritos desencarnados pela irradiação luminosa dos seus perispiritos.

    5) Os Espiritos Superiores e os Bons Espiritos possuem sempre uma LINGUAGEM pura, digna, elevada, lógica, nobre e sublime de moralidade, e seus ENSINAMENTOS visam sempre a melhoria Moral e Espiritual das pessoas.
    Os Espiritos Elevados são Virtuosos em seus ensinamentos e mensagens.
    Os espíritos apegados a matéria e as paixões terrenas possuem uma LINGUAGEM moralmente pesada e suja, uma linguagem vulgar, grosseira, agressiva, chula, ímpia, e eles só tratam de assuntos matérias sem alcance moral, assuntos terra a terra.
    Portanto, devemos sempre analisar o teor moral e racional da LINGUAGEM dos espíritos desencarnados, e só devemos aceitar o que tiver um nível Racional elevado e uma Moral sã.

    6) Um Espírito Superior ou um Bom Espírito, já mais vai usar uma Linguagem moralmente pesada e suja, uma linguagem vulgar, ímpia, trivial, grosseira, ele terá certamente uma Linguagem que reflete seu estado moral evolutivo.
    Porém, existe no plano astral muitos espíritos embusteiros, mentirosos e mistificadores, que procuram enganar as pessoas, eles tomam nomes falsos importantes, veneráveis e pomposos e também usam uma Linguagem melosa, doce, meiga para poder SEDUZIR e mentir, seduzir e enganar, seduzir e iludir.
    A tática é sempre tentar SEDUZIR.
    É POR ISSO, QUE DEVEMOS PASSAR PELO CRIVO SEVERO DA RAZÃO E DA LÓGICA TODOS OS ENSINAMENTOS QUE VENHA DOS ESPÍRITOS DESENCARNADOS.
    Só devemos aceitar o que a Razão, a lógica e sã Moral indica.
    Existe os espíritos mistificadores de Corpos fluídicos.
    O perispirito ou corpo astral é um corpo fluídico semimaterial que é plasmavel ao pensamento dos Espiritos, basta o Espirito pensar fortemente numa forma que seu perispirito vai plasmar fluidicamente tal forma, portanto, os espíritos desencarnados podem tomar varias formas fluídicas, eles podem conforme as suas condições psíquicas plasmar a forma fluídica de um índio, de um militar, de um medico, de um idoso, de um jovem, de uma criança, de uma pessoa famosa um cantor um artista, portanto, muitos espíritos embusteiros podem tomar formas fluídicas falsas para enganar os médiuns videntes, são os mistificadores de corpos fluídicos do mundo espiritual.
    Esse processo é chamado de IDEOPLASTIA ESPIRITUAL.
    É a capacidade que certos espíritos desencarnados tem de simular uma forma fluídica falsa para enganar os médiuns videntes que são invigilantes com a sua conduta moral.
    A matéria fluídica do perispirito é plasmavel ao pensamento do Espirito, o pensamento é uma força criadora muito importante, basta o Espirito se concentrar numa forma que seu corpo perispiritual vai plasmar fluidicamente tal forma.
    É por isso que entrar em contato mediúnico com o plano espiritual é algo muito serio, devemos sempre estar alertas nessas questões.

    7) O Pensamento e a Sintonia
    Existe uma lei chamada Lei de Sintonia vibratória ou a Lei de afinidade moral que o ser humano pratica com seus pensamentos.
    Essa Lei determina que os iguais se atraem e os diferentes se repelem, cada pessoa conforme seus pensamentos, sentimentos e atitudes, vão atrair bons ou maus espíritos conforme o Padrão Moral desses pensamentos, sentimentos e atitudes.
    Uma pessoa que se entrega aos seus maus pensamentos, maus sentimentos e aos vícios, vai estabelecer sintonia vibratória com espíritos desencarnados que pensam e sentem da mesma forma, ou seja, vai atrair uma assistência espiritual ruim.
    O nosso Pensamento tem que estar canalizado somente para coisas positivas e elevadas, o pensamento se propaga no mundo espiritual ou plano astral através de ondas vibratórias e ele vai sempre estabelecer sintonia com os espíritos desencarnados, pensamentos de ódio, raiva, ciúmes, inveja, egoísmo, falsidade, desonestidade, revolta, medo, hipocrisia, desejos de vingança vai sempre atrair espíritos inferiores, perturbadores e obsessores, por que, esses espíritos também pensam da mesma forma negativa, os semelhantes atraindo os semelhantes.
    Pelo pensamento entramos em contato vibratório com o plano astral e os espíritos desencarnados, podemos dizer que os espíritos se comunicam entre si pela irradiação dos pensamentos ou vibrações mentais, portanto, os espíritos desencarnados podem conhecer e ler nossos pensamentos, e os espíritos obsessores podem com isso descobrir nossos pontos fracos.
    É por isso que devemos cultivar pensamentos elevados, nobres e firmes no Bem, para podermos estabelecer sintonia com os Espiritos de Luz e afastar os espíritos das sombras, tudo depende das nossas condições morais e mentais.
    O Pensamento cria correntes fluídicas entre o plano espiritual e o plano material, e nessas correntes fluídicas vamos ter um canal aberto com o plano astral.
    Para resumir, o ser humano com seus pensamentos vai estabelecer sintonia vibratória com os espíritos desencarnados, pensamentos de raiva, ciúmes, medo, revolta, falsidade, egoísmo vai atrair espíritos que pensam e sentem da mesma forma, portanto, temos que disciplinar nossos pensamentos somente em coisas boas e positivas.
    Ler bons livros, ouvir boas musicas, manter contato com pessoas de boa formação moral, cultivar a prece sincera e ter pensamentos elevados e positivos, é a melhor forma de elevar o padrão vibratório dos pensamentos.

    8) O problema da Obsessão
    O Mestre Allan Kardec em seus livros, fala que são as nossas imperfeições morais que atraem os maus espíritos.
    Essas imperfeições morais são basicamente os maus pensamentos, os maus desejos, os vícios, os maus hábitos e as atitudes negativas.
    Cada imperfeição moral é uma porta aberta para os maus espíritos.
    Allan Kardec explica: assim como as moscas farejam as chagas do corpo, os maus espíritos farejam as chagas morais da alma, para afastar as moscas basta limpar nosso corpo de suas impurezas físicas, para afastar os maus espíritos temos que Limpar nossa alma de suas impurezas Morais, vamos concluir, que é na Limpeza Moral que esta a melhor defesa psíquica contra os maus espíritos.
    Essa Limpeza Moral consiste em:
    a) combater os maus pensamentos e os maus sentimentos
    b) combater os Vícios e os maus hábitos
    c)cultivar a prece sincera
    d)ter uma conduta reta no Bem e nas Virtudes
    e) cultivar a fé Racional para discernir as coisas

    O Mestre Allan Kardec fala em seus livros que o ser humano tem o Livre arbítrio para resistir ou ceder as influencias dos maus espíritos, portanto, nós podemos resistir as influencias dos espíritos inferiores, perturbadores e obsessores, por que, o Livre arbítrio é nosso.
    Os maus espíritos não tem nenhum poder sobre as pessoas de Bem, são as nossas imperfeições morais que permitem que eles se aproximem de nós, se eu procuro ter um Comportamento Moral reto em Cristo eu vou afastar qualquer espírito obsessor.
    O Bem repele o mal
    A Luz repele a escuridão

    9) Divaldo P Franco disse que esses espíritos que se apresentam como preta velha, preto velho, caboclos, podem ser espíritos bons mais são IGNORANTES.
    Espíritos Ignorantes.
    Vejamos, os Espíritos de luz, jamais vão pedir charutos, cigarros, cachaça, despachos e sacrifícios de animais, somente espíritos apegados a matéria é que pedem essas coisas, ou seja, espíritos ignorantes.
    Em muitos centros de macumbas se pratica sacrifícios de pobres animais, somente espíritos inferiores podem pedir tais coisas, os Espíritos Elevados e os Bons Espíritos jamais vão pedir esses absurdos, os animais merecem o nosso respeito e o nosso amor, eles são nossos irmãos menores na escala evolutiva.
    J Herculano Pires em seu Livro Mediunidade fala que o Movimento Espírita deveria se LEVANTAR contra a matança de pobres animais nesses centros de macumbas, candomblé e quimbanda, como disse Divaldo P franco, esses espíritos são IGNORANTES e muitos deles podem ser maldosos, vingativos, sedutores e obsessores, devemos ter muito cuidado nesses assuntos.
    Vamos conhecer a elevação dos espíritos desencarnados pela sua LINGUAGEM e pelos seus Ensinamentos, um espírito que se apresenta numa reunião mediúnica pedindo cachaça, charutos, despachos e sacrifícios de animais, vamos analisar pelo teor Moral das coisas que ele fala e pede, que são espíritos apegados a matéria e aos vícios terrenos, ou seja, espíritos IGNORANTES sem luz moral.
    Vejamos essa pergunta, devemos aceitar esses sacrifícios de animais como um ato religioso??
    Ou devemos respeitar e amar os Animais, condenando essas praticas primitivas e absurdas??
    Uma outra pergunta, o que vai atrair os espíritos de Luz, velas, despachos, charutos, cachaça, sacrifícios de animais ou são os pensamentos puros e elevados, a caridade, o amor, a elevação moral, a pratica das Virtudes???
    Essas são algumas questões para podermos analisar pela fé raciocinada.

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