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FALSO CONCEITO DE ESPIRITISMO

falso1 Chamo falso conceito de Espiritismo à errônea interpretação ou compreensão equivocada que muitas pessoas têm de sua filosofia no que se refere a seu aspecto moral e sociológico.
E é sobre este ponto que desejo fazer refletir as pessoas estudiosas que, animadas de um nobre propósito de redenção humana, desejam que nossa ideologia abra caminho através de tantas misérias e preconceitos morais e seja apreciada em seu verdadeiro valor filosófico, incitando que a reta interpretação de sua doutrina moral e sociológica tenha para a humanidade e para seus ideais superiores mais importância que a compreensão científica de seus fenômenos que, por ser de mais difícil alcance, só é acessível e de maior interesse a um número – por desgraça bastante reduzido – de estudiosos.
Muitas pessoas, ainda que conhecendo relativamente o Espiritismo e apesar, em alguns casos, de sua erudição, dão-lhe um significado moral e sociológico completamente falso e que não pode se chocar com o verdadeiro conceito filosófico que emana de seus feitos e de seus postulados e com as aspirações ideológicas para elevar o nível moral e social dos indivíduos e dos povos, impulsionando-os para uma era de paz, amor e justiça.
Logicamente, mais que qualquer outra tendência ideológica, cabe ao Espiritismo – dado seu conhecimento científico e espiritual do homem – trabalhar pelo advento de uma sociedade melhor, desvencilhando os homens de suas paixões baixas, de seus preconceitos e interesses mesquinhos, por serem estes os que dão origem aos mais nocivos dos materialismos e servir de apoio a um sem fim de iniquidades, de crimes e de vícios que geram e se desenvolvem no seio da sociedade, mas que são suscetíveis de desaparecer, ou pelo menos diminuir, instruindo racionalmente, sem sofismas nem acomodações, nossa moral e a sociologia que dela emana.
Infelizmente, os detratores de nossa filosofia e os simplistas, sem lógica nem discernimento, que vegetam à sua sombra, creem, ou se empenham em fazer crer, que o Espiritismo é uma doutrina de conveniência, de acomodação ao meio social e econômico, de conformismo com todas as indecisões e circunstâncias da vida, de sujeição aos convencionalismos sociais e ao dia-a-dia, de contemplação ante os sofrimentos humanos, as misérias e dores impostas pelo regime em que vivemos, ante os crimes e horrores a que este regime dá lugar.

Supõem que o Espiritismo é a ressurreição das velhas teologias, um sistema de degradante estoicismo, que prega a submissão a todas as imposições, despotismos e ensinamentos, a todas as imoralidades e injustiças existentes que a moral avessa da sociedade considera como virtudes; que tende à pusilanimidade e ao relaxamento moral dos indivíduos e dos povos; que, aspirando o homem a uma vida ultra-terrena, como compensação dos sofrimentos terrenos, quanto mais se humilhe, se arraste se degrade e sofra, quanto menos resistência oponha ao mal que nele exista ou em seus semelhantes, quanto mais afague ou adule a quem o oprima, tanto mais será sua felicidade e sua bem-aventurança na outra vida e maior o mérito por sua indignidade.
Daí deduz os detratores da filosofia espírita que esta é a doutrina mais antissocial e a mais oposta à melhoria do indivíduo e da sociedade.
À parte as distorcidas interpretações dos leigos, dos detratores e simplistas, há também as que, de forma inconsequente, dão algumas pessoas de cultura superior, a quem cairia bem o título de oportunistas, as quais, não tendo ainda se despojado de preconceitos religiosos, sociais ou de outra índole e apesar de terem perfeito conhecimento da filosofia espírita, dão a esta uma interpretação moral e sociológica de acordo com suas prevenções, seus interesses ou com o ambiente ou situação econômica em que atuam.
Esta interpretação convencional e sofistica que faz do Espiritismo uma doutrina circunstancial e detestável; que ao mesmo tempo faz com que sirva para exaltar o bem e a virtude, como para justificar o crime e o vício, tanto exalta a crueldade do guerreiro, como a santidade do apóstolo; que paga igual tributo ao credor endinheirado e ao mesquinho usurário como à honradez e generosidade do filantropo; que confunde a humildade com a humilhação que rebaixa a bondade e a doçura do caráter até o consentimento e aprovação de todas as infâmias, imposições e relaxamentos morais; que põe a mordaça na boca de cada rebelde que almeja um mundo de paz, de amor e de justiça, e ajuda a tornar mais pesada a cruz carregada pelas costas dos mais frágeis; que busca conciliar a moral espírita com a moral dos códigos e com essa outra moral social circunstancial, acomodatícia, que vale tanto como um imposto e que para o mesmo vício ou o mesmo crime, tanto tem a cadeira elétrica como a cruz de honra; que, enfim, meia hora depois de estar com Jesus, está com Pilatos e meia hora depois, com Herodes.
Essa interpretação, digo, é, em meu conceito, mais prejudicial ao Espiritismo que as anteriores, porque assume ante a opinião dos leigos e dos simplistas, um valor de lógica que, ainda que falsa, tem o mérito da autoridade de quem a expõe.
Quando assim se interpreta nossa doutrina, não é de estranhar que as demais ideologias e os homens que aspiram à dignificação da humanidade olhem o Espiritismo com prevenção e desconfiança e que, embora admitindo seus fatos, neguem-lhe a virtude palingenésica e moralizadora de sua doutrina.
É, assim, dever dos espiritistas de verdade expor fielmente, sem lorotas nem evasivas, o conceito moral e sociológico do Espiritismo, indo à fonte antiga de seus ensinamentos e submetendo à crítica racional as interpretações capciosas, precipitadas e convencionais.
Por nossa parte formularemos aqui algumas falsas apreciações, com as quais se mistifica e desvirtua o conceito moral e sociológico do Espiritismo, dividindo-as em duas categorias, a dos detratores eruditos e a dos simplistas oportunistas.
O espírita – dizem os primeiros – aspirando aos planos de existência superiores sente um grande desprezo pelas coisas e assuntos deste mundo, do qual deseja constantemente escapar, como o prisioneiro de sua prisão, por ser esta existência um episódio enfadonho da vida, que considera eterna, na garantia que tem de achar fora da terra horizontes mais amplos e mais livres para sua felicidade.
Para atingir este fim, o espírita deve levar uma vida de anacoreta, viver em atitude mística e contemplativa com o olhar sempre fixo no mundo dos espíritos, despreocupando-se quanto seja possível do plano empírico, das coisas materiais, que considera insignificante.
Sendo o mundo e a sociedade o resultado de um plano predeterminado por Deus, o espiritista o aceita tal qual é, sem intentar modificá-lo, porque toda revelação, todo repúdio, toda ação tendente a combater uma injustiça, a corrigir um defeito no regime social, a transformar as instituições etc. implica numa insubordinação à Autoridade Suprema.
Para o espírita, todo mal, todo erro, toda injustiça forma parte deste plano, obedece à lei de causalidade moral: um mal é consequência necessária de outro e o adepto do Espiritismo sente-se obrigado a respeitar esta lei.
O espírita vive obcecado no estudo das coisas do outro mundo, menosprezando as que a ciência ensina neste: trata de dar luz aos seres de além-túmulo que baixam às sessões, julgando não ser lá grande coisa as trevas em que vivem os deste plano; têm sábios conselhos, piedade e desculpa para os criminosos e demais pecadores desencarnados, para quem pedem alívio e perdão, mas não têm uma só palavra de consolo, uma desculpa, um conselho, nem uma atitude defensiva para os delinquentes vivos, a quem deixa à mercê da desgraça, do ódio da sociedade e do castigo e vingança da lei.
O espírita, acrescentam, condena as paixões e gozos materiais da vida, que são seus verdadeiros propulsores, considerando-os como obstáculo ao aperfeiçoamento do espírito. Até aqui os falsos intérpretes da primeira categoria.
Vejamos agora como conceituam nossa moral e nosso modo de atuar na sociedade, os da segunda, ou seja, os simplistas e oportunistas, os quais – muitos deles, apesar de vinculados à nossa ideologia – suas simplicidades e equilíbrios dialéticos servem de meio às críticas ideológicas e infundadas dos primeiros, que se atêm a elas mais que à doutrina.
O espírita, dizem estes, não deve rebelar-se contra as injustiças sociais, contra os males da sociedade, contra as misérias e dores que afligem a seus semelhantes, porque cada um, de acordo com a lei de causalidade, ocupa neste mundo o lugar que lhe corresponde, a condição e posição social que conquistou: deve ver sofrer e calar-se e até alegrar-se do sofrimento próprio e alheio; segundo suas crenças, o sofrimento purifica a alma; deve ver a vítima sendo escárnio do algoz e nada dizer, porque aquela, em outra existência haverá sido sem dúvida, carrasco e agora sofre as consequências.
Evitar esta expiação de sua falta é fazer-lhe um mal. Há que deixá-lo, pois, sofrer. Logicamente, comete uma incoerência socorrendo ao necessitado, porque este não seria tal se em sua existência anterior não tivesse sido um avaro, um rico endinheirado e egoísta.
Tampouco deve socorrer àquele que sofre um acidente na via pública, porque se este tem uma perna fraturada ou agoniza sob as rodas de um trem, é porque em sua vida anterior rompeu a perna de alguém (provavelmente do mesmo lado cuja fratura experimenta), ou fez sofrer a mesma agonia (talvez ao mesmo motorista que, sem querer nem saber, o machuca).
Se se trata de um depositário da riqueza social, de um rico usurário, egoísta e açambarcador, de um déspota poderoso ou de um perverso qualquer, que gozam à custa de seus semelhantes: pobres!…
Diz o simplista (considerando a possibilidade – que para ele se converte em uma certeza – de suas míseras vidas passadas), talvez tenha vivido anteriormente existências miseráveis.
Sem dúvida – acrescenta – foram escravos, mendigos: passaram frio, fome, sede de justiça etc. e hoje têm em suas elevadas situações a compensação de suas privações e sofrimentos…: não há, pois, porque reprovar seus procedimentos egoístas; cada um ocupa na sociedade o lugar que lhe corresponde, tanto a vítima quanto o algoz; na sociedade, tudo é ordem e harmonia…
Deixai-os desfrutar tranquilamente dos justos privilégios alcançados, ainda que seus irmãos gemam e pereçam no desespero e na miséria.
Deixai-os, dizem, por sua vez, os oportunistas, alegando o porvir causal dos poderosos, mas defendendo melhor seu cômodo presente; deixai-os, pois terão de sofrer as consequências de seu egoísmo em existências vindouras.
E, como se isto fosse pouco, agregam em sua desobrigação a parábola de Jesus: “é mais fácil um camelo entrar pelo fundo de uma agulha que um rico no reino dos céus”, pretendendo-se fazer crer que a missão moral e social do espírita consiste só na adoção de uma postura evangélica.
Vê-se semelhante coberto de farrapos, em frangalhos, convertido em afronta à sociedade adota então uma postura filosófica e com a circunspecção de quem penetrou nas predeterminações alheias, dizem: “é sua missão”.
Se mais tarde este ser miserável e mendigo, devido a seus próprios esforços ou favorecido por sua sorte, ocupa uma posição social e econômica elevada, repetem a mesma frase: “é sua missão”. Se logo por preguiça, imperícia, falta de economia ou previsão cai na desgraça e na ruína, também: “é sua missão”.
Se se eleva novamente, pisoteando metade da humanidade em sua ascensão imoral, o mesmo: “é sua missão”. Morre-se afogado por imprudência ou empolado por demasiada avareza, não há dúvida que, de acordo com o critério simplista, igualmente cumpriu “sua missão”.
Um amigo espírita, um tanto brincalhão, parodiando esta classe de intérpretes de nossa doutrina, dizia-me que, por ocasião de um homem estar sendo enforcado, não seria conveniente para elevação de sua alma, ajudar a enforcá-lo, porque, sem dúvida, de acordo com o critério simplista da lei de causalidade espírita, tê-lo-ia merecido e não seria de bons espíritas privá-lo desta agonia prazerosa, que talvez ele mesmo tivesse escolhido como prova para cumprir sua missão; pôr obstáculos ao seu livre desenvolvimento, em vez de prestar-lhe ajuda, seria estancar seu progresso.
Isto que pudesse parecer uma intervenção exagerada da lógica simplista, não o é. E, para demonstrar que não há em tudo o que digo invenção ou exagero, vou citar um fato concreto:
“Um visitante que, a julgar pela forma de expressar-se, dava a impressão de ser espírita e estar versado na doutrina, perguntou se, quando um homem está sofrendo, não seria prejudicial aliviar seus sofrimentos, pois, com isto – partindo-se de que todo efeito tem uma causa e que toda dor é necessária – impedia-se lhe de corrigir suas faltas passadas e se lhe privava dos meios que Deus lhe proporciona para o aperfeiçoamento do espírito”.
Do que se deduz – segundo a lógica simplista – se aliviar o sofrimento é mau e deixar sofrer é bom, provocá-lo é melhor, e quanto mais mal se faça, melhor se é. À parte do paradoxo de tão absurda doutrina, já se podem considerar os efeitos morais que produziria no mundo e que fama resultaria para os espíritas, semelhante aberração.
Nesta primeira fase de meu trabalho tenho procurado expor, em seus diversos pontos de vista, o falso conceito moral e sociológico do Espiritismo e como, com semelhante interpretação, se rebaixa a mais imoral e antissocial das ideologias.
Analisemos, agora, estas apreciações, a fim de demonstrar que tal maneira de raciocinar e tirar conclusão são contrária à essência da doutrina e que, em muitos casos, não passa de pura mistificação feita pelos detratores do Espiritismo, com o propósito de rebaixá-lo ante as tendências contrárias.
É um gravíssimo erro de lógica, quando não um sofisma, sustentar que o espírita, pelo fato de aspirar a planos de existência superiores, tenha necessariamente que sentir desprezo pelas coisas e assuntos deste mundo, posto que o bom sentido e a lógica mais elementar ensinam todo o contrário.
Se o progresso do espírito, seu adiantamento moral e intelectual, se todas suas perfeições futuras e sua felicidade têm por base as atividades do presente – o bem que faça e o mal que evite os conhecimentos que adquira os sacrifícios e esforços que isso realize os efeitos e considerações que por suas virtudes conquiste – quanto maior empenho ponha nas coisas e assuntos deste mundo – ou seja, naqueles que, física, moral e espiritualmente o beneficiem e a seus semelhantes – tanto maior será o bem para sua felicidade e aperfeiçoamento futuros.
Eis como o espírita está moralmente obrigado por força de suas convicções a trabalhar com fé e com firmeza pelas coisas e assuntos do plano terrestre, em sentido mais amplo e elevado que as demais tendências ideológicas, porque as coisas e assuntos deste plano são a condição indispensável para sua ascensão a planos de vida superiores, inacessíveis aos espíritos pusilânimes e inativos, indiferentes e egoístas.
O espírita encontra-se em análogas condições que o estudante que tem consciência da carreira que segue e do fim elevado de seus estudos; este aspira sempre a graus superiores e, longe de sentir desprezo pelo grau inferior em que se encontra, pelas coisas e assuntos da escola a que pertence, pelos professores que ensinam e os livros em que aprende, sente-se vinculado a eles por um sentimento de solidariedade e põe o maior empenho em aproveitar as lições e exemplos que recebe para seu adiantamento e de seus companheiros.
Sem que isto seja uma razão para que não repudie e combata os maus métodos de ensinamento, as velhas tendências escolásticas, os hábitos perniciosos, a negligência de seus companheiros, seus erros e seus vícios, a demasiada severidade de seus mestres, o excesso de disciplina e os sistemas anacrônicos do ensino e do regime escolar.
O sofisma dos críticos da doutrina espírita consiste, pois, neste caso, em sustentar que o estudante, análogo ao espírita, tem necessariamente que sentir desprezo por coisas e assuntos da escola a que pertence, pelo fato de aspirar a graus e escolas superiores.
A atuação do espírita neste mundo, tampouco pode ser de “mística contemplação”, como o estudante em permanecer inativo, em atitude contemplativa, sonhando com os benefícios e gozos espirituais que lhe proporcionará um dia o ensino das escolas superiores, despreocupando-se dos estudos que correspondam à sua classe – porque, neste caso, de nada adiantaria.
Tampouco o espírita pode – se se ajustar com lógica à sua doutrina – permanecer em atitude mística, contemplando inerte a vida do mais além e despreocupando-se das coisas e assuntos da Terra, quando é aqui no exercício de todas as suas faculdades e atitudes, que deve preparar-se e adquirir a soma de perfeições e conhecimentos que o façam digno e merecedor de uma existência superior.
Outro dos erros ou sofismas dos detratores da doutrina espírita é pretender que esta seja, por suas consequências, fatalista, e atribuir aos espíritas à crença de que Deus predeterminou as coisas deste mundo, de modo que o homem tenha que submeter-se passivamente a elas.
Para o conceito espírita, Deus não preestabeleceu nenhum plano que no desenvolvimento dos fatos e acontecimentos sociais exclua a intervenção consciente, inteligente ou relativamente livre do homem.
Crer que o ser onisciente que rege os destinos do universo tenha podido predeterminar as coisas tal como acontecem na sociedade sem suas reações correspondentes, equivaleria a sustentar o absurdo de que Ele quis que, por interesses mesquinhos e ambições desmedidas, os povos se lançassem uns contra outros em guerras fratricidas; que a maior parte das energias humanas fosse empregada em ações prejudiciais, em construir instrumentos de morte e de extermínio; que houvesse políticos e mandatários que enganassem os povos e, sob o pretexto de governá-los e de ocupar-se de sua felicidade, lavrassem, com o sacrifício alheio, a sua própria; que existissem religiões que, amparadas em seu nome, pregassem absurdos e mentiras para manter os homens na ignorância e deleitarem-se a expensas do erário público e do comércio vil entre o céu e a terra; que houvesse, de propósito, posto em seus planos coisas destinadas à concupiscência e à degradação; que, como um embuste e uma ironia sangrentos, estivesse de acordo com a construção de patíbulos e guilhotinas para alguns homens, não menos criminosos que os demais aos quais condenam, mas investidos de desumana autoridade, mandassem executar a estes com o maior sangue frio para desengano de todos, menos deles mesmos, e que o delinquente vulgar e inexperiente fosse, em muitos casos, julgado, perseguido e castigado pelo delinquente mais hábil, mais inteligente e mais elevado.
Equivaleria, enfim, a fazer de Deus, ser todo amor, todo justiça, todo inteligência, um verdadeiro monstro, sem nenhum dos atributos divinos que o Espiritismo lhe reconhece.
Deus não preestabelece nem predestina os acontecimentos, muito menos os sociais, que estão sujeitos a contingências, sem que por isto contradigam o princípio de causalidade, porque preestabelecer e predestinar são termos que expressam concepções humanas.
Isto deveria saber os críticos da doutrina espírita por serem muitos deles doutores e filósofos, ou ostentar tais títulos.
Para Deus não pode existir passado nem futuro, senão um eterno presente, porque sendo infinito em seus atributos, também o é no espaço e no tempo.
Deus estabelece e determina constantemente os acontecimentos por meio de suas leis sábias e constantes que abarcam todos os fatores concomitantes que contribuem necessária, ou contingentemente à sua realização, entre cujos fatores está, em primeiro lugar, o espírito humano que, longe de ser passivo, é consciente, inteligente e voluntário, ou seja, capaz de determinar-se, de reagir contra o meio social, contra os demais fatores extrínsecos e realizar livremente seu próprio destino, sem que por isto tenha que infringir qualquer lei divina, aja bem ou aja mal, porque suas debilidades e torpezas, como suas virtudes e seus acertos, estão dentro das possibilidades infinitas de Deus, com as que, necessária ou contingentemente o homem realiza, da mesma forma, seus desígnios.
E assim como as possibilidades de Deus são infinitas, são também infinitas suas leis e infinito o tempo que o espírito humano tem para cumpri-las.
Para o espírita, contrariamente às deduções dos críticos mal intencionados, o homem é a verdadeira causa atuante, consciente e propulsora da dinâmica social, o fator primordial e essência do desenvolvimento progressivo da sociedade, ao qual se subordinam os demais fatores de ordem material.
Deste ponto de vista de nossa doutrina, não é, nem pode ser, um simples espectador dos acontecimentos humanos, um contemplador indiferente das dores e misérias de seus semelhantes, um contemporizador com os privilégios, as injustiças, os vícios e as iniquidades que constituem a base imoral de nossa sociedade; não pode ser um despreocupado das coisas deste mundo, um submisso, um escravo das imposições sociais.
Não duvidamos de que entre os adeptos do Espiritismo haja simplistas que o creiam assim; mas, neste caso, combata-se esta atitude negativa e humilhante dos homens e não a virtude dos princípios que nossa ideologia ensina.
Admitimos os espíritas que o mal, o erro, a injustiça, o vício etc. façam parte do plano de nossa existência terrena, como fatores negativos da evolução, mas a eles opomos o bem, a verdade, a justiça e a virtude como seus modos positivos, ambos indispensáveis para o progresso e aperfeiçoamento do espírito sem os quais não é concebível qualquer existência espiritual.
Mas o conjunto de males, de vícios, de erros e de injustiças, como seus modos positivos contrários, que constituem a trama moral de nossa sociedade, não são mais do que a condição de nosso progresso, o ambiente necessário no qual devemos atuar (e não nos acomodarmos), para nele amenizar nosso espírito; é a resistência natural, em que devemos exercitar nossa energia espiritual, para nosso avanço ascensional.
A direção moral que traça ao homem o Espiritismo é a de reagir contra as más inclinações, egoísmos e baixezas que há nele e fora dele.
O Espiritismo não ataca as paixões, a não ser quando estas são baixas e degradam o homem, ou quando são dominadoras e o subjugam e escravizam.
As paixões, ainda que sejam as geradoras dos vícios mais baixos e deprimentes, também são das maiores virtudes e dos feitos mais nobres e elevados.
A alma – como bem disse um dos precursores da filosofia espírita, o admirável Platão – vai a uma carruagem puxada por dois corcéis, um branco, dócil, de formas graciosas, representa as paixões generosas de nossa natureza; o outro, negro, de cabeça compacta, com os olhos impregnados de sangue, sempre cheio de cólera, não obedece se não a duras penas ao açoite e ao aguilhão; este representa as paixões baixas.
A razão sustenta as rédeas da carruagem e se serve habilmente do corcel branco para corrigir os ímpetos do cavalo negro; faz-se senhora soberana de sua parelha, adianta-se com passo firme e seguro através das vicissitudes da vida até abrir as portas da imortalidade.
Nada melhor que esta bela metáfora do autor de Fedro para expressar o conceito espírita das paixões.
Com o exposto, cremos ter demonstrado de modo satisfatório a falsidade das apreciações dos que atribuem ao Espiritismo uma moral de passividade e de negação, frente aos problemas sociais e aos assuntos da vida terrena.
Vamos agora responder ao falso conceito dos simplistas e oportunistas, sobre os quais – seja dito, para alívio dos verdadeiros espíritas – deveria recair toda a responsabilidade das acusações precedentes, porque se balizam, mais que em um mal-entendido da doutrina, em suas interpretações errôneas e em suas inconsequências.
Sustentar que o espírita deve amoldar-se ao meio social: conviver com os interesses criados, com os egoísmos, infâmias, os prejuízos e imoralidades e não combater os males e injustiças sociais, nem tratar de aliviar as dores e misérias de seus semelhantes; dizer que cada um ocupa o lugar que lhe corresponde na sociedade e que se deve deixá-lo nesse lugar; que quem sofre é porque fez sofrer anteriormente aos demais e necessita do sofrimento (com o agravante de que há que deixá-lo ou fazê-lo sofrer) para purgar o mal feito; dar por originário em existências anteriores todos os males, todos os abusos, desmandos, crimes, desigualdades e iniquidades que se contemplam no mundo, tratar de justificá-los e pensar que a condenação e a reação a eles são contrárias ao espírito e à moral de nossa doutrina; significa, mais que uma falsa interpretação, uma falta de lucidez, na consciência dos que em tal coisa creem.
Se os espíritas sustentassem semelhante monstruosidade moral, a sociedade – pelo menos a parte sã – teria razão suficiente para trancar-nos em um manicômio e só passaríamos por cordatos ante a opinião interesseira dos exaltados, dos egoístas e dos velhacos, e o Espiritismo não serviria mais do que para justificar todas as infâmias e garantir o gozo de uns a expensas da desdita e da dor dos demais.
Para refutar semelhante absurdo, consideremos primeiro, que Deus pôs um véu em nosso passado para deixar-nos atuar no presente de modo que a recordação do que fomos não seja obstáculo aos nossos esforços para chegar ao que devemos ser, nem nos coloque em condições de inferioridade, uns com respeito aos outros.
Ignorando, pois, nosso passado, mal podemos justificar nossas diversas situações e incidentes presentes, nem sujeitar-nos a eles.
Mas sim, por indução, partimos do que somos para poder presumir o que fomos.
Não temos, por isto, o mesmo direito de deduzir a priori o que ignoramos ter sido, o que temos necessariamente que ser em um momento determinado de nossa existência, ainda mais se se tem em conta nossa liberdade moral.
Quando raciocinamos a posteriori, partindo de um fato conhecido como é nossa existência atual, há razões poderosas para persuadir-nos, não só do que somos como também do que podemos ou devemos ser de acordo com nosso conceito ideológico da vida.
Se um homem, por exemplo, me faz um dano, posso, por indução, hipoteticamente, concluir que este dano deve ter uma causa anterior e um efeito posterior, mas não posso partir da causa que desconheço para justificar o efeito conhecido, nem posso supor que este dano tenha necessariamente uma causa anterior, originada por um ato anterior meu, posto que na ordem moral nada nos autorize – nem o Espiritismo nos ensina – a crer na série infinita de causas e efeitos, porque bem pode suceder – e de minha parte estou moralmente convencido de que assim suceda – de que muitas de nossas ações, de nossas situações boas ou más, de nossos sofrimentos e alegrias, têm origem imediata nesta existência.
Isto já é um motivo para não cair na simplicidade de atribuir a todas as nossas ações terrenas uma causa remota que viria encadeada em uma série de causas infinitas.
Ainda aplicando este mesmo raciocínio ao princípio de causalidade espírita e admitindo, segundo o conceito simplista, que toda ação ou situação humana presente tem um antecedente causal em existências anteriores e um efeito como consequência moral da mesma ação ou situação, isto não provaria, necessariamente, que o mal deva corrigir-se com o mal, a injustiça com a injustiça, a ofensa com a ofensa, porque a lei de causalidade espírita não é unilateral, mas bilateral, ou seja, que um dano recebido pode ser corrigido por parte de quem o faz com um bem equivalente, sem necessidade de sofrer o mesmo mal causado.
E isto é precisamente o que ensina a doutrina espírita, que difere essencialmente do “olho por olho dente por dente” de Moisés e da moral das religiões e sistemas fatalistas.
O mal não é, pois, a consequência necessária de outro mal, e o espírita não tem o dever de respeitá-lo nem de a ele submeter-se.
Se um homem, por acaso, está se afogando, não seria razoável nem de bons espíritas entrar em averiguações se essa é a situação que, de acordo com suas ações passadas, lhe corresponde, ou se é ou não merecida; seu dever moral é tratar de salvá-lo.
Do mesmo modo, se este mesmo homem sofre privações, dores, enfermidades, misérias ou injustiças, causadas pela avareza, o egoísmo e a prepotência amparada por lei, não deve referir-se a ele e dizer-lhe:
Sofre! Cala-te! Submete-te! Humilha-te!
Porque tudo isto é consequência de faltas análogas cometidas em existências anteriores.
Deve dirigir-se aos causadores de todos estes males e reprovar sua conduta, fazendo-os compreender que seus atos atuais e seu iníquo proceder terão no futuro consequências fatais.
Não é, pois, olhando para trás, mas para adiante, como deve se conduzir o verdadeiro espírita. Suponhamos que uma pessoa se apresentasse a um destes simplistas que pretendem justificar todos os males do presente por ações do passado e lhe pedisse emprestada uma quantidade de dinheiro para sair de uma situação premente e que, quando este fosse pedir-lhe, a tal pessoa lhe dissesse:
– Amigo, eu não lhe devo nada; você ainda está pendente de uma dívida comigo.
– Como? Diria o simplista.
É a coisa mais natural e espírita do mundo: sucede que em nossa existência anterior eu lhe emprestei uma quantia maior que aquela que você me devolveu.
E agora, para saldar a conta você deve devolver-me o resto.
Sem dúvida que o simplista não iria ficar muito de acordo e, no entanto, essa é sua lógica.
Lógica muito boa para sustentar todas as maldades e patifarias e, especialmente, para fazer frente aos nossos credores.
A rigor, ninguém ocupa na sociedade o lugar que lhe corresponde ou lhe pertence, senão o que foi conquistado, muitas vezes a expensas da ignorância e da fragilidade dos demais.
De fato, todos ocupamos um lugar, mas de direito ninguém ocupa o que deve ocupar.
O lugar que cada um ocupa na sociedade não está prefixado fatalmente; é acidental, momentâneo, um instante passageiro e fugaz de nossa evolução; muda incessantemente, pode e deve mudar todo o impulso de nossa vontade, de nossos sentimentos e de nossos esforços; e o conjunto das vontades, dos sentimentos e dos esforços combinados pode imprimir à sociedade um novo movimento e fazê-la capaz de uma ideologia superior que faça desaparecer muitos dos males e injustiças sociais.
Não devem cegar-nos nem impedir-nos as posições fortuitas, circunstanciais e passageiras, nem sempre necessárias ou justas, porque a justiça não se cumpre em um instante de nossa evolução, mas no progresso eterno de nosso espírito.
Lançados como uma flecha no espaço, com um fim ideal e sem solução de continuidade em nosso avanço, não ocupamos jamais um lugar preciso na escala infinita de nossa evolução.
É por isso que o lugar que nos corresponde no mundo, estamos muito longe de ocupar e creio que jamais o ocuparemos definitivamente.
Mas há sim, um lugar, que está em nossa consciência, em nossa consciência de espíritas, que é o que sinaliza nossa ideologia e que devemos ocupar em todo momento, elevando-nos sobre todas as mazelas humanas, de todos os convencionalismos, circunstâncias acomodatícias e de todos os interesses egoístas.
Teremos a liberdade e o valor de dizer nossa verdade, sem ambiguidades nem evasivas, mas também sem ódios e sem rancores de ninguém, considerando que as posições e classes sociais não constituem categorias de ordem moral e que o mal, em qualquer de suas manifestações, depende, acima de tudo, da falta de compreensão e de capacidade para o bem.
Façamos como o médico filantropo que, se combate as enfermidades, é apenas com o propósito de curar os enfermos.
Esse é o lugar ideal que, de acordo com a doutrina espírita, nos corresponde ocupar, os que nos temos nutrido de seus sábios e nobres ensinamentos.

Manuel S. Porteiro (1881-1936), pensador espírita argentino, considerado o fundador da sociologia espírita. Foi presidente da Confederação Espírita Argentina (1934-1935), tendo representado este país, ao lado de Humberto Mariotti, no V Congresso Espírita Internacional de Barcelona, em 1934. Escreveu os livros Espiritismo Dialectico, Concepto Espírita de la Sociología, Origen de las Ideas Morales e Ama y Espera.

  1. wilson moreno
    5, julho, 2014 em 12:32 | #1

    Vejamos as Observações Doutrinarias de Allan Kardec sobre o uso de objetos matérias e o uso da magia.

    1)NENHUM OBJETO, MEDALHA OU TALISMÃ TEM A PROPRIEDADE DE ATRAIR OU DE REPELIR OS ESPÍRITOS. AS COISAS MATERIAIS NÃO TEM NENHUM PODER SOBRE ELES. JAMAIS UM BOM ESPÍRITO ACONSELHA ESSAS PRÁTICAS ABSURDAS. A VIRTUDE DOS TALISMÃS NUNCA EXISTIU, A NÃO SER NA IMAGINAÇÃO DAS PESSOAS CRÉDULAS. (O Livro dos Médiuns, cap. XXV.)
    Não há nenhuma fórmula sacramental para a evocação dos Espíritos. Quem pretendesse oferecer uma poderia ser justamente CHAMADO DE CHARLATÃO, porque para os Espíritos a forma nada é. Entretanto, a evocação deve ser feita sempre em nome de Deus. (O Livro dos Médiuns, cap. XVII.)
    Os Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres e a altas horas querem divertir-se à custa dos que lhes dão ouvido. É sempre inútil e freqüentemente perigoso atender a essas sugestões. Inútil porque nada se ganha em ser mistificado, e perigoso, não pelo mal que os Espíritos possam fazer, mas pela influência que isso pode ter sobre as pessoas de cérebro fraco (O Livro dos Médiuns, cap. XXV.)
    Não há dias nem horas que sejam mais propícios às evocações. Isso é completamente indiferente para os Espíritos, como tudo o que é material, e crer nessa influência seria simples superstição. Os momentos mais favoráveis são aqueles em que o evocador pode estar menos preocupado com as suas ocupações habituais, ou em que o seu corpo e o seu Espírito se acham mais tranqüilos. (O Livro dos Médiuns, cap. XXV.)

    2)A CRÍTICA MALÉVOLA REPRESENTA AS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS CERCADAS DE PRÁTICAS RIDÍCULAS E SUPERSTICIOSAS DA MAGIA E A NECROMANCIA. Se os que falam do Espiritismo sem o conhecer se dessem ao trabalho de o estudar, poupariam muito gasto de imaginação e evitariam alegações que só servem para demonstrar a sua ignorância ou a sua má fé. PARA ESCLARECIMENTO DAS PESSOAS ESTRANHAS A ESTA CIÊNCIA DIREMOS QUE, PARA SE COMUNICAR COM OS ESPÍRITOS, NÃO HÁ DIAS NEM HORAS, NEM LUGARES MAIS PROPÍCIOS DO QUE OUTROS, PARA EVOCÁ-LOS NÃO HÁ NECESSIDADE DE FÓRMULAS NEM DE PALAVRAS SACRAMENTAIS OU CABALÍSTICAS. NENHUMA PREPARAÇÃO E NENHUMA INICIAÇÃO TAMBÉM SÃO NECESSÁRIAS. O EMPREGO DE QUALQUER SÍMBOLO OU OBJETO MATERIAL, SEJA PARA OS ATRAIR, SEJA PARA OS REPELIR, NÃO TEM NENHUM EFEITO, BASTANDO PARA ISTO O PENSAMENTO. Enfim, os médiuns recebem as suas comunicações sem saírem do estado normal, tão simples e naturalmente como se elas fossem ditadas por uma pessoa viva. Só o charlatanismo poderia afetar maneiras excêntricas e acrescentar acessórios ridículos a esses momentos. (O que é o Espiritismo, cap. II, nº 49).

    Estendemo-nos nestas citações para mostrar que os princípios do Espiritismo não têm nenhuma relação com a magia. Assim, nada de Espíritos às ordens dos homens, nada de meios para constrangê-los, nada de signos ou fórmulas cabalísticas, nada de descobertas de tesouros ou de processos para enriquecimento, nada de milagres ou prodígios, de adivinhações ou de aparições fantásticas. Enfim, nada do que constitui o fim e os elementos essenciais da magia. O ESPIRITISMO NÃO SOMENTE DESAPROVA TODAS ESSAS COISAS, COMO DEMONSTRA O ABSURDO DA SUA PRÁTICA E A SUA INEFICÁCIA. Não há, pois, nenhuma analogia entre o fim e os meios da magia e os do Espiritismo. Querer assimilá-los só pode ser obra de ignorância ou de má-fé. E como os princípios do Espiritismo nada têm de secreto, estando formulados em termos claros e sem possibilidades de equívocos, nenhum engano a respeito poderia prevalecer.
    Trecho da Obra O Céu e o Inferno do Mestre Kardec.

    3) Em Obras Póstumas no capitulo Obsessão e possessão, encontramos o seguinte.
    A INEFICÁCIA DO EXORCISMO, NOS CASOS DE POSSESSÃO, ESTÁ PROVADA POR EXPERIÊNCIA, sendo também provado que, no maior número dos casos, ele aumenta o mal em vez de diminui-lo. A razão disso é que a eficácia está sempre no ascendente moral exercido sobre o Espírito, e nunca em atos exteriores, na virtude de palavras ou de sinais.
    O EXORCISMO CONSISTE EM CERIMÔNIAS E FÓRMULAS DE QUE SE RIEM OS MAUS ESPÍRITOS, AO PASSO QUE CEDEM À SUPERIORIDADE MORAL. Vêem eles que os querem dominar por meios impotentes, e capricham, por isso mesmo, em se mostrar mais fortes contra os vãos aparatos com que se procura intimidá-los. Assim pois redobram de força sobre o paciente, como o cavalo velhaco, que lança por terra o cavaleiro inexperto e submete-se quando montado por quem lhe conhece as manhas.
    Ora o verdadeiro cavaleiro neste caso é o homem de mais puro coração, por ser melhor ouvido pelos bons Espíritos.
    Todo o grave problema da obsessão está resumido neste trecho de Kardec.
    Até mesmo a questão do mais forte, hoje muito comum, fica bem esclarecida. A FORÇA DO ESPÍRITO NÃO É MATERIAL, MAS MORAL. E a força do médium é a mesma do Espírito. ENGANAM-SE, POIS, AS PESSOAS QUE PROCURAM TRABALHOS FORTES EM TERREIROS DE UMBANDA ETC., sob a alegação de que os obsessores precisam ser afastados por meio da força. A única força que os pode realmente afastar é a FORÇA MORAL. O tratamento da obsessão é antes de tudo uma evangelização. O perispírito do obsedado, como diz Kardec, foi penetrado pelo do obsessor como a umidade penetra a roupa, e só a doutrinação paciente e caridosa conseguirá livrá-lo dessa impregnação viciosa. (N. do Rev.)
    Para conhecimento das pessoas estranhas à ciência,diremos que não há horas mais propícias, umas que outras, como não há dias nem lugares, para comunicar com os Espíritos. Diremos mais: que não há fórmulas nem palavras sacramentais ou cabalísticas para evocá-los; que não há necessidade alguma de preparo ou iniciação; que é nulo o emprego de quaisquer sinais ou objetos materiais para atraí-los ou repelilos, bastando para tanto o pensamento;e, finalmente, que os médiuns recebem deles as comunicações sem sair do estado normal, tão simples e naturalmente como se tais comunicações fossem ditadas por uma pessoa vivente. Só o charlatanismo poderia emprestar às comunicações formas excêntricas, enxertando-lhes ridículos acessórios. (Allan Kardec – O que é o Espiritismo, cap. II, nº 49.)

    Raciocinemos o seguinte: “Se os talismãs e amuletos nos protegessem, nós não nos esforçaríamos para vigiar nossos atos a pensamentos, seríamos imprudentes; os carros que são benzidos não seriam roubados; se pular 7 ondas trouxesse sorte, quem não pode ir à praia estaria azarado?; a paz depende apenas de uma vestimenta branca ou precisa de nossa mudança de atitude?” Tenhamos bom senso, usemos a razão.
    Para afastar os maus espíritos não adianta usar amuletos, talismã, roupas brancas, imagens de santos, velas, incenso, sal grosso, palavras sacramentais, sinais cabalísticos, exorcismos, são tudo fantasias místicas sem nenhum fundamento racional ou Doutrinário.
    Vejamos agora uma observação muito importante do Professor J. Herculano Pires.

    Não se deixe atrair por macumbas e as diversas formas de mistura de religiões africanas com as nossas crendices nacionais.
    Não pense que alguém lhe pode tirar a obsessão com as mãos. Os passes têm por finalidade a transmissão de fluidos, de energias vitais e espirituais para fortificar a sua resistência.
    Não confie em passes de gesticulação excessiva e outras fantasias. O passe é simplesmente a imposição das mãos, ensinada por Jesus e praticada por Ele. É uma doação humilde e não uma encenação, dança ou ginástica.
    Não carregue amuletos nem patuás ou colares milagrosos. Tudo isso não passa de superstições provindas de religiões das selvas. Você não é selvagem, é uma criatura civilizada capaz de raciocinar e só admitir a fé racional.
    Estude o Espiritismo e não se deixe levar por tolices.
    Dedique-se ao estudo, mas não queira saltar de aprendiz a mestre, pois o mestrado em espiritismo só se realiza no plano espiritual. Na Terra somos todos aprendizes, com maior ou menor grau de conhecimento e experiência.

    Como disse Herculano Pires: NÃO CARREGUE AMULETOS NEM PATUÁS OU COLARES MILAGROSOS. TUDO ISSO NÃO PASSA DE SUPERSTIÇÕES PROVINDAS DE RELIGIÕES DAS SELVAS. VOCÊ NÃO É SELVAGEM, É UMA CRIATURA CIVILIZADA CAPAZ DE RACIOCINAR E SÓ ADMITIR A FÉ RACIONAL.
    ESTUDE O ESPIRITISMO E NÃO SE DEIXE LEVAR POR TOLICES.

    Herculano Pires completa.
    PALAVRAS, AMULETOS, MEDALHAS, IMAGENS E OUTROS INSTRUMENTOS DO CULTO RELIGIOSO OU DE PRÁTICAS MÁGICAS NADA INFLUEM SOBRE OS ESPÍRITOS PERVERSOS, SE AQUELE QUE OS EMPREGA NÃO POSSUIR VIRTUDES MORAIS E NÃO AGIR COM AMOR, HUMILDADE E COMPREENSÃO. AGINDO ASSIM, TODOS OS INSTRUMENTOS E ARTIFÍCIOS SÃO DISPENSÁVEIS.

    Isso diz tudo.

    Vamos concluir que é pela Elevação Moral e pelos Pensamentos puros e nobres e pela pratica do Bem e das Virtudes que esta a única Defesa psíquica contra os maus espíritos.

    Vejamos um observação importante de Allan Kardec.

    As imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem.
    Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas aqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para melhorarem.
    Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim.

    O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é atrair os bons. Portanto, atrai os bons Espíritos, fazendo o maior bem possível, que os maus fugirão, pois o bem e o mal são incompatíveis.
    Sede sempre bons e só tereis bons Espíritos ao vosso lado.

    Essas colocações do Mestre Kardec resumem tudo, a DEFESA contra a influencia nociva dos maus espíritos, esta na nossa Melhoria Moral e na elevação dos pensamentos e também na pratica do Bem, da Caridade e das Virtudes, quando procuramos COMBATER as nossas imperfeições morais, vamos afastar de forma gradativa os espíritos inferiores e obsessores do plano astral e vamos estabelecer sintonia com os espíritos de luz ou espíritos superiores.
    O uso de objetos matérias como, amuletos, talismã, velas, roupas brancas, imagens, sinais cabalísticos, palavras sacramentais, são fantasias, não tem nenhum poder para afastar os maus espíritos, eles ficam até RINDO das pessoas que acreditam nessas superstições tolas, sem reforma moral não conseguiremos repelir os maus espíritos.
    Essa é a fé racional do Espiritismo Cientifico sem misticismos religiosos e crendices.
    O Universo é regulado por Leis naturais e imutáveis, essas Leis regulam tudo, Deus não derroga as suas Leis, portanto, não existem milagres e nem o sobrenatural.
    Deus não faz milagres.

    Wilson Moreno na busca da Verdade.

  2. Muzenga
    29, março, 2015 em 22:32 | #2

    Até que enfim um texto lúcido e coerente. Até que enfim! Nunca pensei que fosse ler um texto bacana escrito por um espírita. Normalmente o Espiritismo Brasileiro condena os prazeres da vida, uma cervejinha com os amigos no fim de semana, condenam tudo. Condenam a gente até de sorri!!!!! Pois para os CHIQUISTAS FANÁTICOS, nós estamos aqui “para evoluirmos. e sofrer faz bem”. Por isso cai fora da doutrina espírita. Parabéns pelo texto

  3. Muzenga
    29, março, 2015 em 22:33 | #3

    Cara, se Deus realmente for como os fanáticos pelo Chico Xavier nos mostram, então ele é um monstro sádico que nos criou unicamente para nos castigar e nos fazer sofrer.

  4. Muzenga
    29, março, 2015 em 22:39 | #4

    O racismo e o preconceito do Espiritismo Brasileiro está fazendo muita gente se afastar dos centros espíritas. É muito radicalismo demais. Os caras são intolerantes.

  5. wilson
    3, dezembro, 2015 em 17:20 | #5

    GUARDAI-VOS DOS FALSOS PROFETAS, QUE VÊM A VÓS COM VESTIDOS DE OVELHAS, E POR DENTRO SÃO LOBOS ROUBADORES.

    Cuidado com os falsos profetas, falar em Deus, Jesus e caridade e orações qualquer um fala, isso não é sinal de elevação espiritual, isso pode ser UMA ARMA DE SEDUÇÃO para envolver as pessoas.

    Procure analisar a racionalidade e a lógica das pregações e procure analisar a moralidade das pessoas que pregam essas coisas.
    Repetimos, qualquer pessoa pode falar em Deus, Jesus, amor e caridade, o Mestre Jesus disse, SEDE MANSOS FEITO UMA POMBA E PRUDENTE FEITO UMA SERPENTE.
    Temos que ter a PRUDENCIA DE UMA SERPENTE para poder analisar e avaliar as mensagens de pregadores encarnados e desencarnados.
    O Plano deles é seduzir.
    Seduzir com palavras de efeito
    Palavras de fé, amor, Deus, Jesus, caridade, preces etc…
    Essas palavras possuem um EFEITO EMOCIONAL GRANDE SOBRE AS PESSOAS, são palavras PSICOLOGIAS para nos seduzir.
    Fiquemos atentos e alertas.
    Como disse Jesus, A PRUDENCIA DA SERPENTE

    GUARDAI-VOS DOS FALSOS PROFETAS, QUE VÊM A VÓS COM VESTIDOS DE OVELHAS, E POR DENTRO SÃO LOBOS ROUBADORES. Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura os homens colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mateus, VII:15-20).

    E respondendo Jesus, lhes disse: Vede, não vos engane alguém; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. _ E LEVANTAR-SE-ÃO MUITOS FALSOS PROFETAS, E ENGANARÃO A MUITOS. E PORQUANTO MULTIPLICAR-SE-Á A INIQÜIDADE, SE RESFRIARÁ A CARIDADE DE MUITOS.
    Mas o que perseverar até o fim, esse será salvo. _ Então, se alguém vos disser: Olhai, aqui está o Cristo; ou, ei-lo acolá, não lhe deis crédito. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios, e maravilhas tais que, se fora possível, até os escolhidos se enganariam. (Mateus, XXIV: 4-5, 11-13, 23-24 e semelhante em Marcos, XIII: 5-6, 21-22).

    Porque não é boa a árvore a que dá maus frutos, nem má árvore a que dá bons frutos. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu fruto. Porque nem os homens colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos vindimam uvas. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do mau tesouro tira o mal. Porque, do que está cheio o coração, disso é que fala a boca. (Lucas, VI-43-45).

    CARÍSSIMOS, NÃO ACREDITEIS EM TODOS OS ESPÍRITOS, MAS PROVAI SE OS ESPÍRITOS SÃO DE DEUS, PORQUE SÃO MUITOS OS FALSOS PROFETAS QUE SE LEVANTARAM NO MUNDO. (JOÃO, EPÍSTOLA I, CAP. IV: 1).

    O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade, e se disfarçam com nomes veneráveis, para procurar, através da máscara que usam, tornar aceitáveis as suas idéias, freqüentemente as mais bizarras e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação. O número dos que, em diversas épocas, mas sobretudo nos últimos tempos, se apresentaram como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até mesmo como Deus, é considerável.

    São João nos põe em guarda contra eles, quando adverte: “Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.”

    O Espiritismo nos oferece os meios de experimentá-los, ao indicar as características pelas quais se reconhecem os bons Espíritos, características sempre morais e jamais materiais. (Ver O Livro dos Médiuns, Caps. 24 e segs.). É sobretudo ao discernimento dos bons e dos maus Espíritos, que podemos aplicar as palavras de Jesus: “RECONHECE-SE A ÁRVORE PELOS SEUS FRUTOS; UMA BOA ÁRVORE NÃO PODE DAR MAUS FRUTOS, E UMA ÁRVORE MÁ NÃO PODE DAR BONS FRUTOS.” JULGAM-SE OS ESPÍRITOS PELA QUALIDADE DE SUAS OBRAS, COMO A ÁRVORE PELA QUALIDADE DE SEUS FRUTOS.

    SUBMETENDO-SE TODAS AS COMUNICAÇÕES A RIGOROSO EXAME, SONDANDO E ANALISANDO SUAS IDÉIAS E EXPRESSÕES, COMO SE FAZ AO JULGAR UMA OBRA LITERÁRIA E REJEITANDO SEM HESITAÇÃO TUDO O QUE FOR CONTRÁRIO À LÓGICA E AO BOM SENSO, TUDO O QUE DESMENTE O CARÁTER DO ESPÍRITO QUE SE PENSA ESTAR MANIFESTANDO, consegue-se desencorajar os Espíritos mistificadores que acabam por se afastar, desde que se convençam de que não podem nos enganar.

    REPETIMOS QUE ESTE É O ÚNICO MEIO, MAS É INFALÍVEL PORQUE NÃO EXISTE COMUNICAÇÃO MÁ QUE RESISTA A UMA CRÍTICA RIGOROSA.

    OS ESPÍRITOS BONS JAMAIS SE OFENDEM, POIS ELES MESMOS NOS ACONSELHAM A PROCEDER ASSIM E NADA TÊM A TEMER DO EXAME. SOMENTE OS MAUS SE MELINDRAM E PROCURAM DISSUADIR-NOS, PORQUE TÊM TUDO A PERDER. E POR ESSA MESMA ATITUDE PROVAM O QUE SÃO.

    Eis o conselho dado por São Luís a respeito:

    “Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: A DE PESAR E ANALISAR, SUBMETENDO AO MAIS RIGOROSO CONTROLE DA RAZÃO TODAS AS COMUNICAÇÕES QUE RECEBERDES; A DE NÃO NEGLIGENCIAR, DESDE QUE ALGO VOS PAREÇA SUSPEITO, DUVIDOSO OU OBSCURO, DE PEDIR AS EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS PARA FORMAR A VOSSA OPINIÃO.”

    ALLAN KARDEC

    Wilson Moreno na busca da Verdade.

  6. wilson
    3, dezembro, 2015 em 17:26 | #6

    Cuidado com os espiritos desencarnados que usam sempre uma linguagem melosa e doce em suas comunicações, isso pode ser uma arma de sedução para nos enganar e mistificar.
    Falar em Deus, em Jesus, caridades e amor qualquer um fala, isso não é prova de elevação espiritual, pode ser uma estrategia para nos iludir e seduzir.
    Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo. (João, Epístola I, cap. IV: 1).

    Veja o que Kardec fala sobre esses espiritos sedutores e maliciosos.

    Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso, são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as mentes predispostas; são meigos, aduladores, pródigos em expressões de ternura e em protestos de devotamento. É preciso ser realmente forte para resistir a semelhantes seduções.

    Vejamos outras observações Doutrinarias de Kardec que muitos espiritas nem sabem que existem

    “Mas nunca será demasiado repetir: não aceiteis nada cegamente. Que cada fato seja submetido a um exame minucioso, aprofundado e severo.” (O Livro dos Médiuns – Kardec – item 98)

    “Segue-se que a opinião de um Espírito sobre um princípio qualquer não é considerada pelos espíritas senão como uma opinião individual, que pode ser justa ou falsa, e não tem valor senão quando é sancionada pelo ensino da maioria, dado sobre os diversos pontos do globo”. (Revista Espírita, 1865)

    Revista espírita ANO 1 – OUTUBRO 1858 – Nº. 10

    Seja por entusiasmo, por fascinação dos Espíritos, ou por amor-próprio, em geral o médium psicógrafo é levado a crer que são superiores os Espíritos que com ele se comunicam, SOBRETUDO QUANDO TAIS ESPÍRITOS, APROVEITANDO-SE DESSA PRESUNÇÃO, ADORNAM-SE DE TÍTULOS POMPOSOS, TOMANDO NOMES DE SANTOS, DE SÁBIOS, DE ANJOS E DA PRÓPRIA VIRGEM MARIA, CONFORME A NECESSIDADE E SEGUNDO AS CIRCUNSTÂNCIAS. E, PARA DESEMPENHAR SEU PAPEL DE COMEDIANTES, CHEGAM ATÉ MESMO A PORTAR A INDUMENTÁRIA EXTRAVAGANTE DAS PERSONAGENS QUE REPRESENTAM.

    Tirai suas máscaras e vereis que se transformam no que sempre foram: ilustres desconhecidos; é o que necessariamente devemos fazer, tanto com os Espíritos, quanto com os homens.

    Da crença cega e irrefletida na superioridade dos Espíritos que se comunicam, à confiança em suas palavras não há senão um passo; é o que também acontece entre os homens. Se conseguirem inspirar essa confiança, haverão de sustentá-la por meio de sofismas e dos mais capciosos raciocínios, perante os quais freqüentemente inclinamos a cabeça. Os Espíritos grosseiros são menos perigosos: reconhecemo-los imediatamente e só inspiram repugnância.

    Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso, são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as mentes predispostas; são meigos, aduladores, pródigos em expressões de ternura e em protestos de devotamento. É preciso ser realmente forte para resistir a semelhantes seduções. Mas, direis, onde estaria o perigo, desde que os Espíritos são impalpáveis? O perigo está nos conselhos perniciosos que dão, aparentemente benévolos, e nos passos ridículos, intempestivos ou funestos a que somos induzidos. Já vimos alguns Espíritos fazerem com que certas pessoas corressem de país em país, à procura das coisas mais fantásticas, sob o risco de comprometerem a saúde, a fortuna e a própria vida. Vimo-los ditar, com toda aparência de gravidade, as coisas mais burlescas, as máximas mais estranhas.

    ANO 1 – OUTUBRO 1858 – Nº. 10

    Vou realçar essa observação de Kardec que é muito importante

    Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso, são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as mentes predispostas; são meigos, aduladores, pródigos em expressões de ternura e em protestos de devotamento. É preciso ser realmente forte para resistir a semelhantes seduções.

    Nessa observação vemos que os espiritos embusteiros e mistificadores podem muitas vezes falar coisas bonitas e belas para nos enganar ou tentar nos seduzir.
    O plano deles é seduzir as pessoas com uma linguagem melosa e meiga, cuidado com esses espiritos que falam macio.
    Para evitar isso temos que colocar essa observação de Kardec em pratica.

    Revista espírita setembro de 1859.

    SE NÃO QUISERMOS SER VÍTIMAS DE ESPÍRITOS LEVIANOS, É NECESSÁRIO JULGÁ-LOS, E PARA ISSO TEMOS UM CRITÉRIO INFALÍVEL: O BOM SENSO E A RAZÃO.

    Sabemos que as qualidades de linguagem, que caracterizam entre nós os homens realmente bons e superiores, são as mesmas para os Espíritos. Devemos julgá-los por sua linguagem.

    Nunca seria demais repetir o que a caracteriza nos Espíritos elevados: é constantemente digna, nobre, sem basófia nem contradição, isenta de trivialidades, marcada por um cunho de inalterável benevolência. Os bons Espíritos aconselham; não ordenam; não se impõem; calam-se naquilo que ignoram. Os Espíritos levianos falam com a mesma segurança do que sabem e do que não sabem; a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade.

    Em mensagem supostamente séria, vimo-los, com imperturbável audácia, colocar César no tempo de Alexandre; outros afirmavam que não é a Terra que gira em redor do Sol.
    RESUMINDO: TODA EXPRESSÃO GROSSEIRA OU APENAS INCONVENIENTE, TODA MARCA DE ORGULHO E DE PRESUNÇÃO, TODA MÁXIMA CONTRÁRIA À SÃ MORAL, TODA NOTÓRIA HERESIA CIENTÍFICA É, NOS ESPÍRITOS COMO NOS HOMENS, INCONTESTE SINAL DE NATUREZA MÁ, DE IGNORÂNCIA OU, PELO MENOS, DE LEVIANDADE.

    DE ONDE SE SEGUE QUE É NECESSÁRIO PESAR TUDO QUANTO ELES DIZEM, PASSANDO-O PELO CRIVO DA LÓGICA E DO BOM SENSO. Eis uma recomendação feita incessantemente pelos bons Espíritos. Dizem eles: Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo. “Os maus Espíritos temem o exame. Dizem eles: Aceitai nossas palavras e não as julgueis”. Se tivessem a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz.

    O hábito de perscrutar as menores palavras dos Espíritos, de lhes pesar o valor – do ponto de vista do conteúdo e não da forma gramatical, com que pouco se preocupam eles – naturalmente afasta os Espíritos mal intencionados, que não viriam então inutilmente perder o tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto é mau ou tem origem suspeita. Mas quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando, por assim dizer, nos ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles fazem o que fariam os homens, eles abusam de nós.

    Revista espírita setembro de 1859.

    Wilson Moreno

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