Atlântida e Lemúria Nunca Existiram!

Atlântida

Em “Os Exilados da Capela”, Edgar Armond desenvolveu uma idéia já presente em A Gênese: a Raça Adâmica.

Legiões de espíritos oriundos de mundos avançados teriam perdido o direito de lá reencarnarem por serem retardatários em seu progresso moral.

Como forma de “regeneração”, foram degredados em mundos que ensaiavam os primeiros passos da vida inteligente, onde teriam uma encarnação bem mais áspera e também a oportunidade de acelerar o progresso de seus habitantes.

Um desses foi a Terra.

Armond advogava (baseado em “relatos mediúnicos”) que tal migração ocorrera a partir de um planeta do sistema solar da estrela Capela, situada na constelação de Cocheiro, “uma estrela inúmeras vezes maior que o nosso Sol e, se este fosse colocado em seu lugar, mal seria percebido por nós, à vista desarmada” (cap. I).

Bem tirando o fato de uma estrela grande demais consumir seu combustível de forma extremamente rápida, tornando o aparecimento da vida complexa em seu sistema um tanto improvável (quanto mais a inteligente), continuemos.

A migração dos capelinos teria se iniciado já nas últimas eras glaciais, num período por ele denominado “1º ciclo”. Abaixo, um mapa de como seria o mundo àquela época:

Parte dos capelinos teria se tornado os constituintes da terceira e quarta raça de “atlantes”.

Seres mais avançados em relação aos demais habitantes do planeta e dotados de poderes psíquicos.
Fizeram mal uso destes dons para fins de conquista e dominação.

Sua corrupção e abuso de poder provocaram cataclismos que arrasaram o continente e levaram à dispersão dos sobreviventes de três sub-raças atlantes: toltecas, acádios e semitas.

Afinal, há alguma coisa de verdade no mito de Atlântida?

Antes da teoria da deriva continental, estipulada em sua forma moderna por Alfred Wegener em 1912, os paleontólogos tinham tremendo abacaxi para descascar: fósseis da mesma espécie eram encontrados em sítios de continentes distintos, separados por vastos oceanos.

Como eles cruzaram tais distâncias?

A primeira resposta dada foi a hipótese das “pontes continentais”: grandes massas de terra, agora submersas, que ligariam os continentes, permitindo um fluxo de populações.

Um dos primeiros “grandes continentes perdidos” propostos foi Lemúria, sugerido em 1864 pelo zoólogo Philip Sclater num artigo ao Quarterly Journal of Science, [vol. I. p. 215].

Seu objetivo era explicar disparidade entre a ampla distribuição dos fósseis de antigas populações de lêmures (daí Lemúria) – encontrados pela orla do oceano Índico – e os exemplares atuais desses primatas, que estão restritos à ilha africana de Madagascar.

A hipótese das pontes continentais sofreu refinamentos conforme outros registros fósseis eram descobertos e, em meados do século passado, a seguinte configuração para os continentes antigos era aceita:

Distribuição de terras durante o carbonífero, segundo a antiga hipótese das pontes continentais. Fonte: Enciclopedia Labor, vol I, cap. V

Tem-se uma ilustração relativamente semelhante à de “Exilados..”, mas esta semelhança é ilusória, pois figura representa a Terra do período geológico conhecido como carbonífero (de 360 a 286 milhões de anos atrás) e a de Armond já data do pleistioceno (1,8 milhão de anos a 11.000).

A hipótese das pontes, por sinal, supunha uma distribuição geológica próxima à atual já no Terciário superior (paleoceno e eoceno – 65 a 35 milhões de anos) já mostram uma distribuição próxima à atual.

Distribuição de terras durante o terciário inferior, segundo a antiga hipótese das pontes continentais. Fonte: Enciclopedia Labor, vol I, cap. V

Embora Armond não tenha dado bibliografia clara, pode-se cogitar que bebera água de alguma fonte relacionada à teosofia.

Madame Blavatsky, a fundadora dessa seita ocultista, expôs sua versão de antropogênese no segundo volume de obra Doutrina Secreta, em que não só toma emprestado o continente de Lemúria, mas também a usa a mítica Atlântica e o suposto continente Hiperbóreo.

Ela também apresenta parte do vocabulário usado por Armond como “Raças-Mães” (Root Races ou “Raças-Raizes” ) e suas respectivas sub-raças.

Esses continentes perdidos ganharam um maior desenvolvimento em The Lost Lemuria (“A Lemúria Perdida”, 1904) e The Story of Atlantis (“A História de Atlântida”, 1896), ambos de autoria do também teósofo William Scott-Elliot.

Além de informações geológicas, esses livros fornecem dados sobre a suposta história e costumes dos antigos habitantes, bem algumas evidências para esses continentes, que eram baseadas pressupostos científicos da época. O conteúdo antropológico, porém, ficou apenas assentado em alegados poderes de clarividência:

Na verdade, não há limite aos recursos da clarividência astral na investigação a respeito da história passada da Terra, seja o caso de estivermos envolvidos com os eventos que ocorreram à humanidade nas épocas pré-históricas ou com o próprio desenvolvimento do planeta ao longo dos períodos geológicos anteriores ao advento do homem, ou com eventos mais recentes, narrativas atuais que têm sido distorcidas por historiadores descuidados ou perversos.

A memória da Natureza é infalivelmente acurada e inexaustivamente precisa.

Tão certo como a precessão dos equinócios, chegará um tempo quando o método literário de pesquisa histórica será posto de lado como ultrapassado, no caso de toda obra original.(…)

The Story of Atlantis, prefácio à primeira edição.

Scott-Elliot talvez tenha se deixado levar por um excesso de otimismo, pois o tempo seria cruel para a credibilidade de Lemúria e Atlântida.

Mapas Lemurianos de Scott-Elliot

Em vermelho, terras lemurianas. Azul, antigas terras Hiperbóreas (Ártica, Báltica e Sibéria).

Mapas Atlantes de Scott-Elliot

Entre 1 milhão e 800 mil anos atrás. Entre 800 mil e 200 mil anos atrás.

Entre 200 mil e 80 mil anos atrás. Entre 80 mil e 11 mil anos atrás.

Em vermelho, territórios de formação temporal idêntica a atlante. Em verde, territórios de outras eras (hiperbóreas e lemurianas).

O Fim das Pontes Continentais

As figuras sobre as Pontes Continentais que foram extraídas da Enciclopedia Labor pertencem a uma edição de 1957, portanto são contemporâneas à primeira edição de “Exilados” (1951) e bem anteriores à morte de Armond (1982).

As figuras estão lá mais como uma curiosidade, pois essa enciclopédia dá realmente mais ênfase na teoria de Wegener da deriva continental.

Todos os continentes estiveram uma vez unidos num só (Pangeia), que teria se fragmentado inicialmente em dois (Laurásia, ao norte, e Gondwana, aos sul) e depois nas massas continentais modernas.

Tal ideia conseguia não só explicar a distribuição dos achados fósseis, como a formação geológica contínua entre os blocos separados e o impressionante ajuste do litoral dos continentes modernos.

Pangeia e a distribuição de fósseis no triássico (200 milhões de anos)

No entanto, por ocasião da morte de Wegener (1930), sua teoria possuía uma grande lacuna: não explicava que forças realmente moviam os continentes de forma satisfatória.

A resposta definitiva só veio em 1962, com a descoberta da “tectônica de placas”.

A crosta terrestre não é inteiriça, mas dividida em seis “placas” geológicas principais e outras menores que flutuam sobre o magma do manto.

Suas fronteiras são delimitadas pelas dorsais e fossas oceânicas.

No manto, surgem correntes de convecção provocadas pelo calor mais intenso no núcleo terrestre, que produziria correntes ascendentes parcialmente afloradas em ambos os lados das dorsais oceânicas e descendentes nas fossas oceânicas.

Tanto o é que as rochas mais recentes se encontram junto às dorsais e a idade delas aumenta à medida que se afastam em direção às fossas.

O assoalho oceânico se expande junto às dorsais e é reabsorvido pelo manto nas fossas. Os continentes são arrastados como pratos deslizantes durante o ciclo convectivo.

Distribuição das placas tectônicas

Tectônica de Placas

Agora vamos a uma análise pormenorizada dos “argumentos armondianos” em prol de Atlântida (cap. XIV de “Exilados”).

· No fundo do Atlântico foram encontradas lavas vulcânicas cristalinas, cuja congelação era própria de agentes atmosféricos, dando a entender que o vulcão que as expeliu era terrestre e o esfriamento de lava se deu em terra e não no mar.

Resposta: Isto é perfeitamente factível durante a cisão de uma placa, antes que a água do mar invada a parte nova do assoalho oceânico. Mas não é por isso que as antigas terras desabam.

Formação de uma dorsal oceânica

· Estudos realizados no fundo desse oceano revelam a existência de uma grande cordilheira, começando na Irlanda e terminando mais ou menos à altura da foz do rio Amazonas no Brasil, cuja elevação é quase três mil metros acima do nível médio do fundo do oceano.

Resposta: Na verdade, ele está se referindo à cadeia de montanhas submarinas conhecida como “Dorsal Meso-Atlântica”, que vai da Islândia ao fim do continente sul-americano! Muito além do ele gostaria que fosse.

O fundo oceânico. Ao centro, a Dorsal Meso-Atlântica

Ela foi formada na junção de placas por material que vem sendo expelido há milhões de anos.

Eu disse EXPELIDO, não sugado.

O veredicto da geologia é claro: não houve nenhum continente Atlântico, nem civilização chamada Atlântida [Feder, cap. VIII, p. 202].

· Os homens de Cro-Magnon eram do tipo atlante, muito diferentes de todos os demais, e só existiram na Europa ocidental na face fronteira ao continente desaparecido mostrando que é dali que vieram.

Resposta: É crescente a admissão da tese que os primeiros Humanos anatomicamente modernos vieram da África. Os Cro-Magnons chegaram à Europa vindos do lado oriental.

· Os crânios dos Cro-Magnons são semelhantes aos crânios pré-históricos encontrados em Lagoa Santa, Minas Gerais (Brasil).

Resposta: A reconstituição do crânio de uma representante típica do “povo da Lagoa Santa” revelou algo impressionante: ela tinha traços negroides!

Os índios não foram os primeiros habitantes do lugar, muito menos o europeus Cro-Magnons.

Esta representante foi chamada de Luzia, em homenagem a um famoso achado fóssil: Lucy, o esqueleto mais completo da espécie Autralopithecus Aferensis.

Luzia, a primeira brasileira.

· O idioma dos bascos não tem afinidade com nenhum outro da Europa ou do Ocidente e muito se aproxima dos idiomas dos americanos aborígines.

Resposta: Segure-se na poltrona com o que vou falar: o inglês é parecido com chinês! Sim, são duas línguas em que a separação entre as classes gramaticais é bastante fluida, podendo uma mesma palavra ser utilizada ora como substantivo, ora como adjetivo ou verbo.

Agora, volte à calma, pois eu esqueci de falar as diferenças: o chinês é uma língua tonal, com predominância absoluta de monossílabos; características que o inglês não possui.

Sem contar que a história das línguas é radicalmente diferente.

Em suma, isso é um exemplo de comparação descabida em que se ressalta apenas o que interessa e se esconde o destoante.

O idioma basco, de fato, é um “corpo estanho” no meio das línguas indo-européias que o circundam.

Ele deve ser o sobrevivente de idiomas falados na península ibérica antes da chegada de celtas e romanos, mas sua origem ainda permanece um mistério.

Muitas comparações entre o basco e línguas ameríndias são feitas apenas por palavras que soam parecido, mas têm escritas e significados diferentes.

Como por exemplo, umiak, que em esquimó significa “canoa para toda a família”, e umeak, que em basco é usado para designar crianças (*).

Um exemplo fora do basco, foi a afirmação pelo Meso-americanista Pedro Armillas que a palavras latina ocelli (olhinhos) lembra pequenas manchas e em nahuatl, a língua dos Astecas, um gato malhado é um ocelot [Feder, cap.VI, p. 122].

Tais comparações palavra a palavra podem forçar similaridades em línguas que não têm nenhuma conexão histórica!

(*) Extraído de “Os Grandes Mistérios da Ciência”, encarte de Superinteressante, outubro de 2003, pág. 13, “De onde vem o idioma basco?”.

· Há pirâmides semelhantes no Egito e no México, e a mumificação de cadáveres praticada no Antigo Egito também o era no México e no Peru.

Resposta: Mais um exemplo de mostrar semelhanças e esconder disparidades.

Há grandes diferenças entre as pirâmides egípcias e as americanas.

As pirâmides do Novo Mundo são truncadas com topos achatados, ao passo que as egípcias são “pontudas”.

Pirâmides americanas possuem escadas ascendentes em suas faces; as egípcias, não.

As americanas serviam de plataformas para templos e muitas também eram câmaras funerárias para seus líderes; as egípcias não possuíam templos e eram apenas sepulturas para o faraó e suas esposas.

Os métodos de construção também eram diferentes; as egípcias eram feitas em etapa única, ao passo que as americanas tinham várias etapas, em geral, representando construções justapostas uma sobre as outras.

Finalmente, se as pirâmides americanas e egípcias tivessem a mesma origem em Atlântida (ou qualquer ou buraco), era de se esperar que datassem do mesmo período.

Entretanto, as egípcias datam sua entre 5.000 e 4.000 anos atrás; já as americanas não são a 1.500 anos.

Ambas são bem mais recentes que o desaparecimento de Atlântida (há 11.000 anos, pela datação Platão).

É possível traçar um desenvolvimento autóctone da tecnologia egípcia para a construção de pirâmides.

Agora, uma pergunta: a técnica de mumificação era a mesma?

· Também se verificou que o fundo do Atlântico está lentamente se erguendo: a sondagem feita em 1923 revelou um erguimento de quatro quilômetros em 25 anos, o que concorda com as profecias que dizem que a Atlântida se reerguerá do mar para substituir continentes que serão, por sua vez, afundados, nos dias em que estamos vivendo.

Resposta: Estamos esperando.

Atlântida: a lenda segundo Platão

A primeira menção à Atlântida aparece no diálogo filosófico “Timeus” de Platão.

Ela é descrita por Crítias, avô materno de autor (que provavelmente não estava vivo, sendo o diálogo fictício).

A história teria sido repassada pelo avô de Crítias (de mesmo nome), que teria ouvido do pai dele, Drópides.

Este a recebera do sábio grego Sólon, que por sua vez ouvira sacerdotes egípcios.

Um relato em primeira mão, sem dúvida (sic).

A história contada pelos sacerdotes seria a do maior feito dos antigos atenienses.

Nove mil anos antes de sua época, uma força poderosíssima vinda de além das “Colunas de Hércules” (estreito de Gibraltar) avançou sobre a Europa e a Ásia, eles possuíam uma armada de 12.000 navios e um exército de 10.000 carruagens.

Os sacerdotes disseram a Sólon o nome desse poder do oceano Atlântico: a nação de Atlântida. Os atlantes eram descendentes dos dez filhos do deus Poseidon com uma mortal.

Construíram formidável civilização, mas a medida que seu sangue divino foi se diluindo, tornaram-se cruéis e sedentos de dominação.

Os únicos que fizeram frente aos atlantes foram aos antigos atenienses.

Após os invasores terem varrido todo o norte da África até o Egito, foram derrotados em batalha por uma força menor, mas cheia de patriotismo e virtude.

Após este fracasso, toda a Atlântida foi destruída numa série de terremotos e enchentes que, infelizmente, também destruiu os antigos atenienses.

Agora considere a história que Platão conta pela boca de Crítias: um império longínquo, tecnologicamente sofisticado, mas moralmente arruinado e perverso – Atlântida – tenta a dominação mundial pela força.

A única coisa a ficar no seu caminho é um relativamente pequeno grupo de pessoas espiritualmente puras, com princípios morais e incorruptíveis – os antigos atenienses.

Superando a desvantagem tecnológica e numérica, os atenienses são capazes de derrotar um adversário muito mais poderoso simplesmente através da força de seus espíritos.

Isto te lembra algo?

“Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…”

Sim, Atlântida é uma fonte de inspiração para a “Guerra nas Estrelas” de George Lucas.

Platão situou os fatos 9.000 antes de sua época numa região quase desconhecida (o oceano Atlântico).

A sofisticada e dominadora Atlântida remete ao Império Galáctico, com sua Estrela da Morte.

Os atenienses lembram a Rebelião liderada por Lea e Luke Skywalker.

Ambos são vitoriosos não por uma superior capacidade militar, mas porque a “Força” (Virtude) estava com eles.

Mas as narrativas são mitos: servem para entreter e dar lições morais e são igualmente fantásticas.

A partir das características dos primeiros atenienses, Platão exemplifica sua sociedade ideal.

Pois é, os atrasados nativos, sem nenhum parentesco divino (ou alma extraterrena) se provaram mais valorosos.

É impressionante como a história de Atlântida foi distorcida para servir a um livro que beira o de um newager.

Ainda bem que Edgard Armond não é muito levado a sério por centros espíritas, digamos, mais ortodoxos.

Mas sua voz se faz sentir nos afins da “Aliança Espírita Evangélica” fundada por ele.

O problema maior, porém, é que Armond também teve por base testemunhos espirituais mais tradicionais.

Em “Exilados…” se encontram alusões a Emmanuel.

Ele, antes de Armond, fala em exilados da Capela e em Atlântida:

ORIGEM DAS RAÇAS BRANCAS

Aquelas almas aflitas e atormentadas reencarnaram, proporcionalmente, nas regiões mais importantes, onde se haviam localizado as tribos e famílias primitivas, descendentes dos “primatas”, a que nos referimos ainda há pouco.

Com a sua reencarnação no mundo terreno, estabeleciam-se fatores definitivos na história etnológica dos seres.

Um grande acontecimento se verificara no planeta.

É que, com essas entidades, nasceram no orbe os ascendentes das raças brancas.

Em sua maioria, estabeleceram-se na Ásia, de onde atravessaram o istmo de Suez para a África, na região do Egito, encaminhando-se igualmente para a longínqua Atlântida, de que várias regiões da América guardam assinalados vestígios.

Não obstante as lições recebidas da palavra sábia e mansa do Cristo, os homens brancos olvidaram os seus sagrados compromissos.

Grande percentagem daqueles Espíritos rebeldes, com muitas exceções, só puderam voltar ao país da luz e da verdade depois de muitos séculos de sofrimentos expiatórios; outros, porém, infelizes e retrógrados, permanecem ainda na Terra, nos dias que correm, contrariando a regra geral, em virtude do seu elevado passivo de débitos clamorosos.

QUATRO GRANDES POVOS

As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências.

As tradições do paraíso perdido passaram de gerações a gerações, até que ficassem arquivadas nas páginas da Bíblia.

Aqueles seres decaídos e degradados, a maneira de suas vidas passadas no mundo distante da Capela, com o transcurso dos anos reuniram-se em quatro grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos, obedecendo às afinidades sentimentais e lingüísticas que os associavam na constelação do Cocheiro.

Unidos, novamente, na esteira do Tempo, formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia.

Dos árias descende a maioria dos povos brancos da família indoeuropéia nessa descendência, porém, é necessário incluir os latinos, os celtas e os gregos, além dos germanos e dos eslavos.

As quatro grandes massas de degredados formaram os pródromos de toda a organização das civilizações futuras, introduzindo os mais largos benefícios no seio da raça amarela e da raça negra, que já existiam.

É de grande interesse o estudo de sua movimentação no curso da História.

Através dessa análise, é possível examinarem-se os defeitos e virtudes que trouxeram do seu paraíso longínquo, bem como os antagonismos e idiossincrasias peculiares a cada qual.

Xavier, Francisco Cândido; A Caminho da Luz, FEB, ditada por Emmanuel, cap. III

Um tanto comprometedor, pois a origem da raça branca tem sensível viés racista.

Será que Emmanuel se esqueceu dos núbios que invadiram o Egito e promoveram uma dinastia de faraós negros?

Com isso, não será tão fácil assim se livrar de Armond o chamando de dissidente: Emmanuel também aparenta ser um pseudo-sábio, a começar pela perfumaria do linguajar: “As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências.”
Talvez merecesse um lugar ao lado de Ramatis.

Mas ainda vale comentar que por volta do lançamento do livro (1939) e até um pouco depois da descoberta da tectônica de placas ainda estava disseminada a hipótese da Atlântida no meio do oceano que lhe herdou o nome, como um resquício da obra de acadêmicos difusionistas (*) como Ignatius Donelly.

Isto pode explicar porque tais abobrinhas não causaram espanto na época de publicação, mas hoje…

Antes que alguém diga que Emmanuel só seguiu os conhecimentos se sua época, vale reparar que ele teve acesso a supostas informações privilegiadas (a imigração capelina), então porque não o estado do fundo do mar?

Inventem outra!

(*)Escola que desacreditava a possibilidade de grandes avanços tecnológicos e culturais poderem se repetir em regiões distintas do globo.

Poucos locais seriam núcleos de idéias originais e as repassariam às sua áreas de influência.
Atlântida caiu como uma luva para eles na explicação de, por exemplos, existirem pirâmides tanto na Meso-América como no Egito.

Só esqueceram ressaltar, como já foi dito, as inúmeras diferenças entre elas.

Edson Rocha

Para saber mais:

– Blavatsky, H.P. The Secret Doctrine, 1888, acessado em 10/10/2010 em Sacred Texts.
– Feder, Kenneth L., Frauds, Myths and Mysteries – Science and Pseudoscience in Archaeology, McGraw Hill, 4ª ed.
– Vidal-Naquet, Pierre. Atlântida – Pequena História de um Mito Platônico, tradução de Lygia Araújo Watanabe, Unesp, 2008
– Sclater, Philip L., Some Dificulties in Zoological Distribution, 1878, acessado em 01/10/2010. Traz uma referência a seu artigo original sobre Lemúria.
– Scott-Elliot, William; The Story of Atlantis, 1896, acessado em 10/10/2010 em Sacred Texts.
– _______________; The Lost Lemuria, 1904, acessado em 10/10/2010 em Sacred Texts.
– Uyeda, Seiya; La Nueva Concepcíón de la Tierra – Continentes y Océanos en Movimiento, Blume Ecología, Barcelona, 1980.

  1. Sergio Mendes
    10, julho, 2018 em 23:29 | #1

    Éluses :

    Parabéns Edson Rocha pelo artigo, ví ai que usou o figuras do livro Decifrando a Terra e não citou as fontes, perdeu 0,4 da nota.
    Fala aí galera, o tema é polêmico. Segue aí meu ponto de vista.
    Sobre as obras é preciso ponderar, pois, poderá ser: Um relato verídico, uma alusão (indicadora de uma outra realidade) e fantasia.
    No meu ponto de vista, de acadêmico e pesquisador espiritualista, acho que tem mais chances de ser uma fantasia. Acho que todas as pessoas que acreditam nisso viveram no período que esse mito ou a historia era contada e por isso acreditam. Além de que não temos relatos de pessoas que viveram lá contada na regressão, se algum de vocês que acreditam nisso, faça uma regressão, se a espiritualidade permitir e você constatar que viveu, nos conte.
    Motivos:
    1. Sou formado em geografia e não vi nada de outros continentes quando peguei a disciplina Geologia e oceanografia.
    2. Erro lógico no primeiro capitulo. (tem muitos só citei o do primeiro parágrafo)
    3. Achei o texto ruim.
    Comparem com os pontos dois e três com o livro evangelho segundo espiritismo. Não resenha negativa sobre o Evangelho segundo espiritismo porque é foi muito bem trabalhada e revisada pelo Espirito Verdade.
    Dicas para saber se uma obra é boa ou tem propriedade.
    1. Observe a fluidez do texto, espíritos elevados são objetivos, na maioria das vezes evitam temas absolutistas e colocam pouco NÃO no texto.
    2.Os pseudos sábios adoram fantasias, Veja o trabalho de Kardec, ali tem propriedade e fluidez. Kardec criou alguma fantasia?
    3. Os espíritos elevados são preocupados com entendimento das pessoas sobre a obra e a revisam. (o que parece que esta obra não foi)
    4. veja a resenha critica na internet( qual é a critica a Obra Evangelho Segundo Espiritismo)
    E Não dei muita moral esta obra, acho que é como a maioria das obras veiculadas por aí de pseudo-sábios, tem muitos, acostumem-se, até ser sábio demora muito.
    É o que mais tem, desculpe se acabei com a esperanças de vocês.
    “haverão muitos falsos cristos, profetas”
    A verdade pertence apenas aos espíritos de ordem mais elevada (Evangelho Segundo Espiritismo)
    Tudo de bom!

    Concordo plenamente com suas observações.

  2. Sergio Mendes
    10, julho, 2018 em 23:32 | #2

    @josé carlos
    Não achei suas observações são pertinentes. E ele defende o que está na Doutrina Espírita segundo Kardec.

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